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EUA e Irã recebem proposta de paz sob ameaça de Trump

Trump diz haver “boa chance” de acordo até terça, 7, mas ameaça ampliar ataques se negociações falharem

Donald Trump: presidente deu novo ultimato ao Irã  (Casa Branca/Divulgação/Getty Images)

Donald Trump: presidente deu novo ultimato ao Irã (Casa Branca/Divulgação/Getty Images)

Publicado em 6 de abril de 2026 às 06h01.

Os governos dos Estados Unidos e do Irã avaliam uma proposta de acordo para encerrar as hostilidades, enquanto o presidente Donald Trump pressiona por um desfecho até a terça-feira, 7.

O plano em discussão prevê um cessar-fogo imediato, seguido de um acordo mais amplo a ser finalizado em até 20 dias, com mediação de Paquistão, Egito e Turquia.

Trump afirmou no final de semana que há “uma boa chance” de entendimento antes do prazo. Ao mesmo tempo, condicionou o avanço das negociações à reabertura do Estreito de Ormuz.

“Estamos em negociações profundas com o Irã”, disse. “Há uma boa chance, mas se eles não fizerem um acordo, vou explodir tudo por lá.”

No domingo, 5, o presidente dos EUA também afirmou que “terça-feira será o Dia das Usinas de Energia e o Dia das Pontes, tudo ao mesmo tempo, no Irã". "Não haverá nada parecido! Abram a p*rra do Estreito, seus malucos, ou vocês vão viver no inferno — é só assistir! Louvado seja Alá", postou Trump em seu perfil no Truth Social.

O Irã rejeitou reabrir o estreito como parte de uma trégua temporária e indicou que não aceita prazos impostos durante a análise da proposta.

Negociação sob ameaça de escalada

Trump afirmou que os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner conduzem negociações intensas com representantes iranianos, por canais indiretos.

“As negociações estão indo bem, mas você nunca chega à linha de chegada com os iranianos”, declarou em entrevista ao site Axios.

O presidente também disse que um acordo para negociações diretas esteve próximo, mas criticou a demora proposta por Teerã. “Disseram que se reuniriam em cinco dias. Perguntei: por que cinco dias?”, afirmou.

Segundo ele, a falta de avanço levou a ações militares recentes. “Senti que não estavam sendo sérios”, disse.

Trump também minimizou impactos sobre civis iranianos, ao afirmar que parte da população apoiaria medidas contra o governo. “Eles vivem com medo”, declarou.

Escalada militar e impacto regional

O impasse ocorre após mais de cinco semanas de conflito entre forças dos Estados Unidos, Israel e Irã.

O Irã respondeu aos ataques fechando o Estreito de Ormuz e realizando ofensivas contra Israel, bases americanas e infraestruturas energéticas no Golfo.

Os confrontos já causaram mais de 3.540 mortes no Irã, incluindo ao menos 244 crianças, segundo dados de monitoramento. No Líbano, foram registrados 1.461 mortos.

Ataques recentes atingiram instalações petroquímicas e embarcações ligadas a Israel em países como Kuwait, Bahrain e Emirados Árabes Unidos.

O fechamento do estreito elevou os preços do petróleo e ampliou os impactos econômicos globais.

Mediação tenta evitar ruptura

Ministros das Relações Exteriores de Paquistão, Egito e Turquia intensificaram contatos para viabilizar medidas de confiança entre as partes.

A proposta inclui a possibilidade de estender o prazo imposto por Trump, caso haja progresso mínimo nas negociações.

Autoridades envolvidas afirmam que as tratativas seguem até o limite do prazo, sem confirmação de avanço concreto.

Trump reiterou que não pretende interromper a ofensiva caso não haja acordo.

O desfecho das negociações depende da aceitação de condições iniciais, incluindo a abertura do Estreito de Ormuz, ponto central do impasse.

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