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Como a CIA usou 'despiste' para resgatar militar no Irã

Militar ferido sobreviveu por 24 horas escondido em fenda antes de ser levado para base no Kuwait

Resgate: forças especiais dos EUA utilizaram cobertura aérea para evitar confronto direto durante a retirada ((Foto de ATTA KENARE/AFP via Getty Images)/Getty Images)

Resgate: forças especiais dos EUA utilizaram cobertura aérea para evitar confronto direto durante a retirada ((Foto de ATTA KENARE/AFP via Getty Images)/Getty Images)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 5 de abril de 2026 às 20h05.

Última atualização em 6 de abril de 2026 às 06h02.

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A queda de um caça F-15E Strike Eagle em território iraniano na última sexta-feira, 3, desencadeou uma das operações de resgate mais audaciosas da história recente da inteligência americana.

Enquanto o piloto foi extraído rapidamente, o segundo tripulante — um oficial de sistemas de armas ferido — tornou-se o centro de uma "caçada humana" em uma encosta de 2,1 mil metros de altitude. O sucesso da missão, revelado neste domingo, 5, foi resultado de um elaborado plano de despiste montado pela CIA.

Como foi feito o resgate?

Para ganhar tempo e afastar as patrulhas da Guarda Revolucionária, a agência de inteligência infiltrou informações falsas no Irã, sugerindo que o militar já havia sido capturado e estava sendo levado para fora do país em um comboio terrestre.

A manobra gerou confusão no comando iraniano, que deslocou recursos para as estradas de saída e deixou a zona montanhosa onde o aviador se escondia em uma fenda na rocha com menor vigilância.

O oficial permaneceu em silêncio de rádio quase absoluto por mais de 24 horas, e seguiu o protocolo de sobrevivência para evitar rastreamento eletrônico inimigo. De acordo com fontes do governo em Washington, a localização exata só foi possível graças a um equipamento de rastreamento exclusivo da CIA, cujos detalhes técnicos permanecem sob sigilo.

Assim que as coordenadas foram confirmadas, o Pentágono acionou uma força-tarefa de centenas de militares para a extração.

O corredor de fogo

A fase final do resgate envolveu bombardeios táticos na região de Isfahan para manter as tropas iranianas à distância. Embora não tenha havido um combate direto corpo a corpo, as forças especiais dos EUA efetuaram disparos de contenção enquanto o oficial ferido era içado. O militar foi transportado para o Kuwait, onde segue em tratamento médico. A operação é vista como um triunfo da doutrina de "Busca e Resgate em Combate" (CSAR), mas também como um alerta sobre a vulnerabilidade das aeronaves americanas frente aos novos sistemas de defesa aérea do Irã.

O incidente ocorre em um momento em que a retaliação entre EUA, Israel e Irã atinge níveis críticos. O fato de o resgate ter ocorrido sem um confronto direto de larga escala sugere que ambos os lados ainda tentam evitar uma guerra total, apesar das violações de soberania. Para o mercado de defesa, o episódio reforça a necessidade de investimentos em tecnologias de invisibilidade e comunicações seguras, que provaram ser o diferencial entre a captura e o resgate bem-sucedido.

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