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Naufrágio no Mediterrâneo deixa 70 desaparecidos em nova tragédia migratória

Organização Internacional para Migrações contabiliza quase 700 mortes ou desaparecimentos no mar apenas em 2026

Mar Mediterrâneo: sobreviventes se agarram ao casco de barco de madeira antes do resgate (Divulgação)

Mar Mediterrâneo: sobreviventes se agarram ao casco de barco de madeira antes do resgate (Divulgação)

Publicado em 5 de abril de 2026 às 14h16.

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Um novo naufrágio no Mar Mediterrâneo deixou pelo menos dois mortos e 71 desaparecidos neste domingo, 5. A embarcação de madeira, que transportava 105 pessoas — incluindo mulheres e crianças —, havia partido da Líbia no sábado com destino à Europa.

Apenas 32 sobreviventes foram resgatados por navios mercantes e levados para a ilha italiana de Lampedusa, que volta a ser o cenário de uma crise humanitária aguda em pleno feriado de Páscoa.

Imagens aéreas divulgadas pela ONG Sea-Watch International mostram o momento desesperador em que os tripulantes tentavam se manter flutuando agarrados ao casco do barco virado. O incidente ocorre apenas quatro dias após 19 corpos de migrantes mortos por hipotermia terem sido levados à mesma ilha. Entidades de direitos humanos classificam os recentes episódios como um "padrão de violência" nas fronteiras marítimas da União Europeia.

De acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), o fluxo migratório em 2026 tem sido particularmente letal: já são 683 mortos ou desaparecidos na travessia mediterrânea nos primeiros meses do ano. Para a ONG Mediterranea Saving Humans, o episódio não é um acidente isolado, mas uma consequência direta da recusa governamental em abrir rotas legais e seguras para refugiados que fogem da instabilidade no norte da África.

Pressão sobre Bruxelas

A tragédia deste domingo coloca nova pressão sobre a cúpula da União Europeia em Bruxelas. Enquanto líderes europeus discutem o endurecimento do pacto de migração e asilo, o número de vítimas nas chamadas "rotas da morte" continua a subir. Analistas apontam que a dependência de navios mercantes para resgates de emergência — em vez de uma frota estatal dedicada de busca e salvamento — aumenta o tempo de resposta e, consequentemente, a taxa de mortalidade nos naufrágios.

A ilha de Lampedusa opera atualmente acima de sua capacidade de acolhimento. A chegada constante de sobreviventes em estado de choque e hipotermia sobrecarrega o sistema de saúde local e as infraestruturas de triagem. Com o mar mais calmo durante a primavera, a previsão é que o número de tentativas de travessia aumente nas próximas semanas, exigindo uma reestruturação logística e diplomática imediata entre a Itália e os países de origem e trânsito, como a Líbia e a Tunísia.

(Com Agência O Globo)

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