Redação Exame
Publicado em 7 de março de 2026 às 14h45.
Os Emirados Árabes Unidos confirmaram a ocorrência de novos ataques coordenados com mísseis e drones em seu território neste sábado, 7. De acordo com o Ministério da Defesa, os sistemas de proteção antiaérea foram acionados para neutralizar ameaças procedentes do Irã, que mantém uma ofensiva de represália contra nações do Golfo.
O clima de instabilidade espalhou-se rapidamente pela região, com relatos de fortes explosões também em Manama, no Bahrein, e em Doha, capital do Catar.
O presidente dos Emirados, xeque Mohammed bin Zayed, quebrou o protocolo com um raro pronunciamento televisionado na Abu Dhabi TV, onde declarou que a nação encontra-se em "estado de guerra".
Apesar da gravidade do cenário, o líder enfatizou a capacidade de resistência do país, assegurando que os Emirados sairão "mais fortes" do conflito. A declaração busca acalmar investidores e a população local em um momento onde o som de interceptações militares tornou-se constante nas principais metrópoles da federação.
Testemunhas e jornalistas da AFP relataram ao menos cinco detonações de grande magnitude no centro de Manama, sugerindo que o alcance da ofensiva iraniana ultrapassa os alvos puramente militares.
A escalada ocorre em um tabuleiro geográfico onde a proximidade entre os países facilita o uso de drones de baixo custo e mísseis de cruzeiro, desafiando a prontidão dos escudos tecnológicos financiados por petrodólares nas últimas décadas.
A ofensiva atinge o coração logístico e financeiro do Oriente Médio, colocando em risco operações em hubs aeroportuários e portuários de classe mundial, como os de Dubai e Doha.
As autoridades dos Emirados Árabes reforçaram o monitoramento de infraestruturas críticas, incluindo plantas de dessalinização de água e terminais de exportação de gás natural. A eficácia dos sistemas de defesa tem sido o principal diferencial para evitar danos estruturais de larga escala e perdas humanas significativas até o momento.
O movimento do Irã é lido por analistas como uma tentativa de desestabilizar as alianças ocidentais na região e forçar uma renegociação de termos geopolíticos sob fogo cruzado.
Enquanto o Bahrein e o Catar avaliam os danos das explosões deste sábado, 7, a comunidade internacional observa com cautela a possibilidade de uma interrupção no fluxo de energia pelo Estreito de Ormuz.
A resiliência demonstrada por Mohammed bin Zayed sinaliza que o Conselho de Cooperação do Golfo pode buscar uma resposta conjunta e ainda mais robusta contra as provocações de Teerã.
(Com O Globo)