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Em comunicado conjunto, Brasil e Rússia criticam sanções unilaterais

Comunicado conjunto após reunião em Brasília cobra mudanças no FMI e no Banco Mundial, reforça diálogo no Brics e apoia papel maior dos emergentes

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. (Gustavo Moreno/STF/Divulgação)

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. (Gustavo Moreno/STF/Divulgação)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 18h36.

Última atualização em 5 de fevereiro de 2026 às 19h12.

Brasil e Rússia divulgaram nesta quinta-feira, 5, um comunicado conjunto com críticas ao uso de sanções unilaterais e defesa de reformas na governança financeira internacional, ao fim da VIII Reunião da Comissão Brasileiro-Russa de Alto Nível de Cooperação (CAN), realizada em Brasília. O encontro foi copresidido pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin.

O documento destaca o fortalecimento do diálogo entre os bancos centrais dos dois países e o interesse em aprofundar a cooperação em temas financeiros, especialmente no âmbito do Brics. Brasil e Rússia ressaltaram a troca de experiências e o compartilhamento de informações sobre instrumentos contemporâneos de pagamento, sinalizando interesse em avançar em alternativas no sistema financeiro internacional.

Um dos principais pontos do comunicado é a rejeição explícita ao uso de sanções unilaterais. As partes reiteraram oposição a medidas coercitivas desse tipo, sobretudo contra países em desenvolvimento, classificando-as como ilegítimas, incompatíveis com o direito internacional e com a Carta das Nações Unidas. O texto afirma que essas sanções violam direitos humanos, prejudicam o desenvolvimento sustentável e representam afronta à soberania dos Estados, sem mencionar países específicos.

A declaração também registra a criação, em 2025, do Diálogo Econômico e Financeiro entre o Ministério da Fazenda do Brasil e o Ministério das Finanças da Rússia, com o objetivo de ampliar a coordenação bilateral em temas macroeconômicos e financeiros e aumentar a previsibilidade na relação entre os dois países.

No plano multilateral, Brasil e Rússia defenderam mudanças na arquitetura financeira global. O comunicado afirma que instituições como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial precisam passar por reformas urgentes para se tornarem mais representativas, eficazes e inclusivas, refletindo o peso crescente das economias emergentes. O texto também defende a modernização dos bancos multilaterais de desenvolvimento e a ampliação de sua capacidade financeira, inclusive com mobilização de capital privado.

Sem citar diretamente a guerra na Ucrânia, a declaração reafirma o compromisso dos dois países com a manutenção da paz e da segurança internacionais e com a solução pacífica de controvérsias, com base nos princípios da Carta das Nações Unidas.

O comunicado também manifesta apoio à ideia de que um representante da América Latina e do Caribe ocupe o cargo de secretário-geral da ONU e registra que a Rússia tomou nota da candidatura da ex-presidente chilena Michelle Bachelet, apoiada por Brasil, Chile e México.

No âmbito do G20, Brasil e Rússia reafirmaram o papel do grupo como principal fórum de cooperação econômica internacional e expressaram preocupação com tentativas de restringir a participação de países em desenvolvimento, mencionando a situação da África do Sul no G20 de 2026. As partes defenderam que o grupo opere com base no consenso, na governança coletiva e na representatividade.

O texto ainda reforça a defesa do multilateralismo e da reforma do Conselho de Segurança da ONU, com ampliação da representação de países em desenvolvimento. Nesse contexto, a Rússia reiterou apoio ao Brasil como candidato a membro permanente em um Conselho reformado.

Mais cedo, na abertura da reunião, Alckmin defendeu o fortalecimento da parceria estratégica entre Brasil e Rússia e a ampliação do comércio e dos investimentos bilaterais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de um almoço no Itamaraty com o vice-presidente brasileiro, o primeiro-ministro russo e integrantes da delegação russa.

*Com informações do Globo

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