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Déficit comercial dos EUA cresce, mas exportações do Brasil caem ao menor nível

Déficit comercial americano em bens e serviços chegou a US$ 77,6 bilhões em maio, alta de mais de 42% em relação ao mês anterior, diz Departamento de Comércio dos EUA

Donald Trump: tarifas adotadas pelo presidente norte-americano não foram capazes de diminuir o déficit comercial do país (Mandel NGAN/AFP/AFP)

Donald Trump: tarifas adotadas pelo presidente norte-americano não foram capazes de diminuir o déficit comercial do país (Mandel NGAN/AFP/AFP)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 7 de julho de 2026 às 18h38.

As importações dos Estados Unidos voltaram a crescer em maio, ampliando o déficit comercial do país mesmo após a adoção de tarifas sobre produtos estrangeiros pelo governo de Donald Trump. Enquanto a maior economia do mundo registrou recorde na entrada de mercadorias, o Brasil seguiu na direção oposta. As exportações para o mercado americano caíram ao menor patamar da série histórica no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil).
Dados divulgados pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos mostram que o déficit comercial americano em bens e serviços chegou a US$ 77,6 bilhões em maio, alta de mais de 42% em relação ao mês anterior. As importações cresceram 3,3%, alcançando US$ 395,3 bilhões, impulsionadas principalmente pela compra de produtos farmacêuticos, celulares, automóveis e equipamentos para centros de dados.
As exportações americanas, por outro lado, recuaram 3,2%, para US$ 317,7 bilhões, refletindo menores embarques de ouro, gás natural, computadores e medicamentos. Ainda assim, os Estados Unidos registraram recordes nas exportações e importações de serviços, além do maior volume já registrado de exportações de petróleo.

O resultado indica que, apesar da política tarifária adotada pela administração Trump para reduzir o déficit comercial, a demanda americana por produtos importados continua elevada, especialmente em setores nos quais a produção doméstica não atende ao consumo.

Brasil perde espaço no mercado americano

Enquanto os Estados Unidos mantêm forte nível de importações, o Brasil não tem acompanhado esse movimento. Segundo a Amcham Brasil, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 17,4 bilhões entre janeiro e junho, queda de 13% em relação ao mesmo período de 2025.

Com isso, a participação americana nas exportações brasileiras recuou para 9,4%, o menor percentual desde o início da série histórica, em 1997.

No mesmo intervalo, o comércio bilateral entre os dois países caiu 12,8%, para US$ 36,4 bilhões. Em contraste, as exportações brasileiras para todos os mercados cresceram 11,5%, com destaque para os embarques destinados à China, que avançaram 21,9%, e à União Europeia, com alta de 12,8%.

Segundo o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, os números refletem os efeitos das tarifas adotadas pelos Estados Unidos sobre o fluxo comercial entre os dois países e reforçam a necessidade de um acordo para evitar novas sobretaxas.

Produtos tarifados concentram maiores perdas

De acordo com o levantamento da Amcham, a retração foi mais intensa justamente entre os produtos brasileiros atingidos pelas tarifas americanas.

As exportações dos itens sobretaxados caíram 16,6% no primeiro semestre, enquanto os produtos que não foram alvo de taxação registraram recuo de 8,7%.

As importações brasileiras de produtos americanos também diminuíram no período, com queda de 12,5%, movimento puxado principalmente pela redução nas compras de máquinas e motores, que recuaram 76%, e de aeronaves e peças, com baixa de 14,6%.

Apesar do desempenho negativo no acumulado do ano, junho trouxe sinais de estabilização. Depois de dez meses consecutivos de queda, as exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram 3,7% em valor, embora o volume embarcado tenha permanecido inferior ao do mesmo mês do ano anterior.

Entre os principais produtos exportados, houve aumento nas vendas de aeronaves (32,9%), carne bovina (41%), óleos combustíveis (13,7%), equipamentos de engenharia (23,8%) e máquinas para geração de energia elétrica (16%). Ainda assim, a Amcham destaca que os produtos sujeitos às tarifas continuam registrando retração nas vendas para o mercado americano.

O cenário permanece cercado de incertezas diante da possibilidade de novas tarifas contra produtos brasileiros, atualmente em análise pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), além dos impactos do conflito no Oriente Médio sobre os mercados de petróleo e gás.

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