Redação Exame
Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 20h44.
Cuba e Estados Unidos mantêm contatos, mas não estabeleceram um diálogo formal entre os dois governos. A afirmação foi feita nesta segunda-feira, 2, pelo vice-ministro das Relações Exteriores cubano, Carlos Fernández de Cossío.
Segundo o diplomata, houve troca de mensagens entre Havana e Washington, mas isso não configura um processo estruturado de negociação. A declaração contrasta com afirmações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que disse no domingo que os dois países estariam conversando e que avaliava a possibilidade de um acordo.
A fala do vice-chanceler ocorre em um momento de forte endurecimento da política americana em relação a Cuba. Na última quinta-feira, Trump assinou uma ordem executiva que autoriza a imposição de tarifas a países que forneçam petróleo à ilha, medida que aprofunda a crise energética e econômica enfrentada pelo país caribenho.
Ao justificar a decisão, o presidente americano afirmou que Cuba representa uma ameaça direta aos interesses dos Estados Unidos e declarou emergência nacional em relação à situação envolvendo a ilha. Segundo a Casa Branca, o corte no fornecimento de petróleo venezuelano, somado às novas tarifas, pode acelerar uma mudança política no país.
Trump também afirmou que Cuba não conseguiria se sustentar sem o acesso ao petróleo e que o país dependia do combustível e dos recursos enviados pela Venezuela, interrompidos após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em janeiro.
No fim de semana, o presidente americano declarou ainda que acredita que Cuba buscará um acordo com Washington após o anúncio das tarifas. O governo cubano reagiu classificando a medida como um “estrangulamento energético”, enquanto o México afirmou que estuda alternativas para apoiar a população cubana diante do risco de agravamento da crise.
Apesar do aumento das tensões e das declarações de ambos os lados, o vice-chanceler cubano reiterou que, até o momento, os contatos entre os dois países não evoluíram para um diálogo formal.
*Com informações da AFP