Estreito de Ormuz: abertura da rota de escoamento do petróleo segue incerta após cessar-fogo temporário. (GettyImages)
Repórter
Publicado em 16 de abril de 2026 às 06h01.
Última atualização em 16 de abril de 2026 às 07h56.
Após mais de um mês de conflito no Irã, o presidente americano, Donald Trump, assumiu no início desta semana o que pode ser a mais complexa e delicada empreitada até então: um bloqueio naval dos portos iranianos, buscando assegurar supremacia marítima no Estreito de Ormuz, cujo bloqueio pelo Irã sufoca a economia global.
A ordem entrou em vigor essa segunda, 13, às 11 da manhã, no horário de Brasília, de acordo com o Comando Central americano (CENTCOM, na sigla em inglês), que comunica no X: “Um bloqueio de portos iranianos foi totalmente implementado, conforme as forças americanas mantêm superioridade marítima no Oriente Médio. Estimamos que 90% da economia do Irã é alimentada pelo comércio marítimo internacional. Em menos de 36 horas após a implementação do bloqueio, forças americanas interditaram completamente o comércio iraniano pelo mar.”
E o CENTCOM não mente: cerca de 90% do comércio marítimo do Irã, que traz ao país um total de 109,7 bilhões de dólares por ano, passa por Ormuz, e Teerã não possui rotas alternativas significativas para o comércio, de acordo com um artigo do think tank Foundation for Defense of Democracies (FDD), que estima perdas iranianas de até 435 milhões de dólares por dia em termos de danos econômicos decorrentes do bloqueio.
Os EUA buscam uma solução diplomática para o conflito no Oriente Médio, enquanto negociações de paz com o Irã – ainda incertas – se desenvolvem lentamente.
A Guarda Islâmica Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês) prometeu retaliação intensa em todo o Golfo em resposta ao bloqueio. Escaladas assim podem minar esforços para a paz e testar um frágil cessar-fogo, que expira semana que vem.

O objetivo central do bloqueio é interditar os principais portos iranianos ao longo da costa do país e suas atividades comerciais, tanto dentro quanto fora de Ormuz, ao controlar o tráfego desses portos e águas por meio de coerção militar, aproveitando a supremacia marítima americana e o estado inoperável da Marinha iraniana após mais de um mês de bombardeios intensos.
Com isso, os EUA esperam não só infligir danos econômicos ao país, reduzindo sua capacidade de luta, mas também quebrar o monopólio iraniano sobre as atividades do Estreito, relaxando o controle do Irã em Ormuz – e, assim, aliviando pressões sobre a economia energética mundial. Além disso, a Marinha americana aproveitará a oportunidade para limpar a passagem de minas submarinas, estima a CNN.
O CENTCOM reforça, ainda, que o bloqueio será aplicado “contra embarcações de todos os países entrando ou saindo de portos iranianos e de suas águas costais.”
A operação envolve mais de 10 mil tropas americanas, mais de uma dúzia de navios de guerra e diversos jatos que sobrevoam o Golfo do Omã e o Mar Arábico, fornecendo suporte aéreo aos comboios. Durante as primeiras horas do bloqueio, nenhum navio mercante teve permissão para atravessar, e seis embarcações receberam ordens de retornar aos portos iranianos. No primeiro dia, apenas dois navios completaram a passagem, sob supervisão ativa americana.
Mesmo com capacidade naval limitada, o Irã ainda dispõe de uma miríade de equipamentos ofensivos para contestar o estreito, de drones a mísseis contra barcos, que podem ser lançados diretamente por soldados, e a embarcações pequenas armadas com torpedos, mais manobráveis e de difícil detecção.
O mais recente relatório da Wayward, uma das principais empresas de IA para navegação e operações marítimas, explica a situação em Ormuz:
“No mar, a atividade de trânsito continua, mas permanece restrita e desigual. Os movimentos das embarcações refletem o acesso seletivo, a participação limitada e o comportamento inconsistente das rotas, sem retorno a um fluxo comercial estável. Ao mesmo tempo, as exportações de petróleo iranianas permanecem estruturalmente ativas, e os fluxos globais de petróleo bruto continuam a ser redirecionados para o Golfo do México, nos EUA.”
“O Estreito de Ormuz não funciona mais apenas como um ponto de estrangulamento controlado. Agora é um espaço marítimo disputado, moldado pelo acesso seletivo, pelo posicionamento militar e por ações de fiscalização emergentes."