Ceuta: migrantes retornam ao Marrocos após entrada em massa no enclave espanhol e acordo de repatriação entre os dois países. (Jorge Guerrero/AFP)
Repórter
Publicado em 1 de agosto de 2026 às 10h47.
Mais de 53 mil migrantes retornaram voluntariamente ao Marrocos após entrarem de forma irregular em Ceuta, enclave espanhol no norte da África, segundo fontes da polícia da Espanha ouvidas pela agência EFE. O movimento ocorre após um acordo entre Madri e Rabat para acelerar a repatriação dos estrangeiros que cruzaram a fronteira nos últimos dias.
O governo espanhol estimou inicialmente que cerca de 50 mil pessoas chegaram ao território, mas o governo de Ceuta elevou a estimativa para aproximadamente 60 mil migrantes. Até a noite de sexta-feira, as autoridades contabilizavam cerca de 53 mil retornos ao lado marroquino da fronteira.
Segundo as autoridades espanholas, o número de pessoas que deixam Ceuta é mais preciso do que a contagem dos migrantes que entraram, já que muitos cruzaram a fronteira por diferentes rotas, inclusive a nado.Ao longo da sexta-feira, milhares de pessoas seguiram em direção à fronteira para retornar ao Marrocos. Além do acordo de repatriação firmado entre os dois governos, o fechamento de estabelecimentos comerciais em Ceuta dificultou a permanência dos migrantes na cidade.
Policiais, militares e agentes municipais passaram a orientar os estrangeiros que ainda permanecem no enclave a retornar ao território marroquino. A maioria é formada por jovens entre 18 e 35 anos.
A crise migratória também provocou episódios de violência em Fnideq, cidade marroquina vizinha a Ceuta. Segundo a EFE, 70 pessoas foram presas por suspeita de participação em confrontos que envolveram incêndios, danos ao patrimônio e tentativa de homicídio.
Os confrontos ocorreram após a entrada em massa de migrantes em Ceuta e deixaram ao menos 57 mortos, segundo informações das autoridades marroquinas.O retorno de dezenas de milhares de pessoas também sobrecarregou Fnideq, município com menos de 80 mil habitantes, onde bancos, restaurantes e comércios permaneceram fechados por receio de novos episódios de violência.
Enquanto Ceuta tenta normalizar a situação, o outro enclave espanhol no norte da África, Melilla, registrou uma nova onda de tentativas de entrada irregular.
Pelo menos 15 migrantes conseguiram atravessar a cerca de fronteira nesta sexta-feira, após outra tentativa em massa registrada na noite anterior, quando cerca de 130 pessoas entraram em Melilla, sendo 84 menores de idade.
Segundo o governo espanhol, as forças de segurança do Marrocos impediram novas investidas de grupos que tentavam alcançar a fronteira ao longo da tarde.