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Ataques no Estreito de Ormuz ameaçam trégua entre EUA e Irã

Ofensivas contra navios e instalações nos Emirados reacendem tensão no Golfo

Estreito de Ormuz: escalada militar entre EUA e Irã pressiona trégua e eleva preço do petróleo (AFP)

Estreito de Ormuz: escalada militar entre EUA e Irã pressiona trégua e eleva preço do petróleo (AFP)

Publicado em 5 de maio de 2026 às 06h07.

A trégua entre os Estados Unidos e o Irã entrou em risco nesta segunda-feira, 4, após novos confrontos no Estreito de Ormuz e ataques atribuídos a Teerã contra os Emirados Árabes Unidos.

A escalada ocorre dias após o presidente Donald Trump anunciar uma operação militar para restabelecer a circulação de navios na região.

Em entrevista à Fox News, Trump afirmou que o Irã seria “varrido da face da Terra” caso atacasse embarcações americanas.

O conflito, iniciado em 28 de fevereiro após ofensivas de Washington e de Israel contra a República Islâmica, já compromete uma das principais rotas energéticas do mundo.

Pelo Estreito de Ormuz, transitava cerca de 20% do consumo global de petróleo e gás natural liquefeito.

Segundo a UKMTO, cerca de 20 mil marinheiros permanecem retidos na região. Nesta segunda, ataques voltaram a atingir alvos civis no Golfo após mais de um mês.

A instalação petrolífera de Fujairah, nos Emirados, foi atingida por um drone, provocando incêndio e deixando três trabalhadores feridos.

Autoridades locais também relataram o lançamento de quatro mísseis de cruzeiro a partir do Irã, além de ataques com drones contra um navio da estatal ADNOC.

Reações internacionais

Os Emirados classificaram os ataques como “escalada perigosa” e afirmaram que têm o direito de responder. O Irã, por sua vez, negou ter planejado ofensivas contra o país e criticou a operação americana no estreito.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, condenou a violação da soberania emiradense. Já o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, e o governo da Arábia Saudita pediram distensão.

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que “não há solução militar” para a crise e defendeu a retomada de negociações, sugerindo mediação do Paquistão.

Petróleo dispara com risco à oferta global

Em meio à escalada, o preço do barril do tipo Brent, referência internacional, subiu 5,8% nesta segunda-feira, encerrando o dia a US$ 114,44.

O avanço reflete o temor do mercado com interrupções prolongadas no fornecimento global, diante do controle iraniano sobre o estreito e das ameaças de novos ataques.

Apesar disso, o Comando Central dos Estados Unidos afirmou que dois navios mercantes americanos conseguiram atravessar a região com sucesso. O Irã contesta a informação e nega perdas militares recentes.

*Com AFP

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