Repórter
Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 19h14.
O Parlamento Europeu avalia retomar a votação pela ratificação do acordo comercial da União Europeia com os Estados Unidos, após o recuo do presidente norte-americano Donald Trump em sua ameaça de impor tarifas aos países europeus. A medida de Trump havia sido justificada pela oposição europeia aos planos dos EUA de anexação da Groenlândia.
A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, afirmou a jornalistas em Bruxelas, nesta quinta-feira, 22 de janeiro, que a mudança de postura de Trump motivaria retomada pela tramitação da proposta, com possibilidade de votação preliminar nos próximos dias. A aprovação parlamentar representa o último requisito formal para a entrada em vigor do tratado comercial.
Na véspera, os eurodeputados haviam suspendido por tempo indeterminado o processo de ratificação, em razão das ameaças feitas por Trump. Horas após a decisão, o governo norte-americano anunciou que não aplicaria as tarifas planejadas para 1º de fevereiro.
"Isto significa que podemos continuar as nossas discussões internas sobre o acordo comercial UE-EUA, que tinham sido suspensas", disse Roberta Metsola, antes de reunião de emergência dos líderes da União Europeia. "Vou dar seguimento ao assunto com os meus colegas para podermos prosseguir."
O acordo comercial foi fechado em julho do ano passado e já está em vigor de forma parcial. Pelo texto, a União Europeia elimina quase todas as tarifas sobre produtos dos Estados Unidos, enquanto os Washington mantêm tarifas de 15% sobre a maioria das exportações europeias e de 50% sobre aço e alumínio. O tratado enfrentou resistência dentro do bloco europeu desde o início.
As pressões relacionadas à Groenlândia aprofundaram a crise diplomática entre os dois lados do Atlântico. A União Europeia chegou a considerar o uso de seu instrumento anti-coerção, mecanismo criado para dissuadir e, se necessário, responder a medidas comerciais usadas como forma de pressão política.
O recuo de Trump foi resultado de uma reunião com o Secretário-Geral da Otan, Mark Rutte, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, na quarta-feira, 21 de janeiro. O acordo mencionado sobre a Groenlândia incluía estacionamento de mísseis dos EUA, concessões de mineração para conter o avanço de interesses chineses e reforço da presença da Otan na região.
“Quando se trata da proteção do Ártico, com prioridade para a Groenlândia, precisamos investir mais energia, mais tempo e mais atenção nisso, porque sabemos que as rotas marítimas estão se abrindo”, afirmou Rutte, em entrevista à agência de notícias Bloomberg.
Apesar da suspensão temporária das ameaças de tarifas, o eurodeputado Bernd Lange, presidente da comissão de comércio do Parlamento Europeu e relator do acordo, alertou que “não há espaço para falsa segurança”. Ele também afirmou que há expectativas de novas pressões dos EUA.
Lange ressaltou, em uma publicação nas redes sociais, que ainda são necessárias mais informações sobre os termos do acordo envolvendo a Groenlândia “para decidir como proceder com a implementação do acordo comercial UE-EUA”. A comissão de comércio deverá discutir os próximos passos na segunda-feira, 24.
O tratado comercial já enfrentava oposição antes da crise diplomática. Um grupo de eurodeputados se posiciona contra o texto desde sua formulação. A ampliação da tarifa de 50% sobre metais para outros produtos e a exigência de mudanças em regras tecnológicas da UE pelos EUA elevaram o tom das críticas de opositores do pacto.