Repórter
Publicado em 26 de dezembro de 2025 às 16h22.
Após o ataque surpresa dos Estados Unidos na Nigéria, no dia de Natal, autoridades do país africano indicaram disposição para uma possível continuidade da operação militar americana.
"Acredito que isso seja algo contínuo e estamos trabalhando com os Estados Unidos", declarou Yusuf Tuggar, ministro das Relações Exteriores da Nigéria, em entrevista à Channels Television nesta sexta-feira, 26 de dezembro. "É uma nova fase de um antigo conflito."
Segundo autoridades nigerianas, que pediram anonimato por se tratar de negociações confidenciais, novos ataques americanos são esperados e estão sendo coordenados com o governo local, informou a Bloomberg.
O Pentágono, embora não tenha comentado formalmente sobre futuras ações, publicou no X (antigo Twitter), um vídeo de lançamento de míssil de um navio de guerra com a legenda "mais por vir". O presidente Donald Trump, que passa as festas em Mar-a-Lago, na Flórida, compartilhou a publicação sem dar mais detalhes.
A operação dos EUA ocorre no contexto de uma série de ações militares promovidas por Trump ao longo de seu mandato, apesar do discurso de campanha de retirar tropas americanas de conflitos internacionais. O governo americano já atuou em países como Somália, Iêmen e Síria, além de realizar ataques contra instalações nucleares iranianas e adotar medidas contra embarcações venezuelanas, sob a justificativa de combate ao tráfico de drogas.
No caso da Nigéria, a ofensiva atingiu a região de Sokoto, no noroeste do país, onde o Ministério da Defesa afirmou que os alvos estavam ligados ao grupo Estado Islâmico. Em outubro, um bispo católico da região havia negado perseguição religiosa a cristãos, o que contradiz declarações anteriores de Trump e seus aliados sobre a motivação dos ataques.
“O terrorismo na Nigéria não é um conflito religioso; é uma ameaça à segurança regional”, afirmou Tuggar em uma publicação nas redes sociais nesta sexta-feira. Ele também disse que os ataques foram realizados com base em informações do governo de Abuja e seguiram conversas com o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
O presidente americano, ao longo dos últimos meses, vinha criticando a atuação das autoridades nigerianas, mencionando supostos ataques a cristãos no país africano. Essas alegações foram refutadas por representantes do governo da Nigéria.
A Nigéria, com população estimada em 230 milhões de pessoas, é o país mais populoso da África e possui divisão quase igualitária entre muçulmanos e cristãos. A instabilidade violenta afeta a região há décadas, com sequestros, ataques a escolas e ações de grupos extremistas.
Em novembro, Trump ameaçou adotar medidas militares caso os ataques contra civis continuassem. Dias depois, terroristas sequestraram mais de 200 crianças de uma escola católica, libertadas no início desta semana, informou o governo.