Marketing

Por que conteúdos de creators estão ganhando do criativo tradicional

Na nova lógica da mídia digital, conteúdos de marcas com creatorss saem na frente ao chegarem já validados pela audiência.

 (BrandLovers/Divulgação)

(BrandLovers/Divulgação)

Miriam Shirley
Miriam Shirley

Presidente da BrandLovers no Brasil

Publicado em 21 de maio de 2026 às 10h46.

Última atualização em 21 de maio de 2026 às 10h48.

A publicidade digital entrou em uma fase curiosa: nunca houve tanta capacidade de segmentação, automação e otimização de mídia e, ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil capturar atenção.

O motivo está cada vez menos na mídia e cada vez mais no criativo.

As plataformas já sabem encontrar audiência com eficiência. O problema agora é outro: fazer as pessoas pararem para assistir.

Isso ajuda a explicar por que tantos anúncios não performam tão bem mesmo com mais tecnologia disponível. O leilão das plataformas evoluiu a ponto de não depender apenas de investimento. Hoje, relevância percebida pelo algoritmo pesa diretamente no custo e na entrega.

E é justamente aí que creators começam a mudar a lógica da mídia digital.

Existe uma diferença estrutural entre um criativo produzido exclusivamente para anúncio e um conteúdo que nasceu organicamente dentro das redes. O primeiro entra “frio” no leilão. Foi criado para mídia, não possui histórico de engajamento e precisa provar relevância do zero. O segundo já chega validado pela audiência. Tem linguagem nativa, comentários, compartilhamentos, retenção e sinais reais de interesse. É um conteúdo que o algoritmo entende como relevante antes mesmo da amplificação.

Na prática, isso muda eficiência.

A Meta já reconhece que qualidade e histórico de interação impactam diretamente performance e custo de entrega. Quanto mais sinais positivos um conteúdo carrega, maior tende a ser sua eficiência de mídia.

É daí que nasce a lógica de organic-to-paid, um modelo que vem ganhando espaço entre grandes anunciantes: conteúdos que performam organicamente passam a ser impulsionados via mídia paga.

Em vez de produzir dezenas de peças tentando descobrir o que funciona no leilão, as marcas começam a amplificar conteúdos que já provaram capacidade de gerar atenção. E o impacto aparece nos resultados.

Dados que levantamos pelo Creator Ads mostram que conteúdos impulsionados do Mercado Livre geraram 55 milhões de visualizações com CPView 35% abaixo do benchmark. No Magazine Luiza, creators amplificados alcançaram 155 milhões de pessoas com CPM 66% inferior à média da Meta. Já na Copa Energia, o modelo gerou CPC de R$ 0,20 e CTR de 5%, com custo 60% abaixo do benchmark.

Os números ajudam a mostrar uma mudança importante: creators não estão performando melhor apenas porque têm audiência. Eles performam melhor porque produzem conteúdos mais aderentes à dinâmica das plataformas. São peças que parecem feed, não publicidade.

E isso reduz um dos maiores desperdícios da mídia digital atual: investir pesado para testar criativos que ainda não passaram por nenhuma validação real de atenção. No modelo organic-to-paid, parte dessa validação acontece antes mesmo da verba de mídia entrar. O criativo já nasce “pré-aquecido”.

Só que transformar isso em operação escalável ainda é um desafio para a maioria das marcas.

Hoje, conteúdo orgânico e mídia paga normalmente funcionam separados. O creator publica de um lado. O time de performance opera do outro. Muitas vezes, o processo ainda depende de baixar vídeos manualmente, subir arquivos no Ads Manager e solicitar permissões creator por creator. Isso quando ambos os times conversam para enxergar essa oportunidade.

Foi justamente dessa fricção que surgiu o Boost, funcionalidade do Creator Ads. A ferramenta conecta creators e mídia dentro da mesma infraestrutura, permitindo selecionar conteúdos com melhor performance orgânica e amplificá-los diretamente via API, sem operação manual.

Na prática, isso transforma creators em uma fonte contínua de criativos já validados pela audiência.

E talvez essa seja a principal mudança da publicidade digital neste momento.

Durante anos, o mercado tentou ganhar eficiência melhorando segmentação. Agora, a vantagem competitiva começa a migrar para outro lugar: a capacidade de gerar criativos que o algoritmo, e principalmente as pessoas, realmente considerem relevantes.

Acompanhe tudo sobre:MarketingMídia

Mais de Marketing

ARQ dará US$ 10 mil a quem acertar três gols em Dida ou Júlio César

Nova plataforma da Squid promete 'match perfeito' entre criadores e marcas

Da CazéTV ao delivery: as apostas do Outback para lucrar com a Copa do Mundo

Amstel aposta em história real para campanha do mês do Orgulho LGBT+