Brasil teve aumento de 24% em patrocínios entre os clubes da Série A, melhor marca desde 2021 (Rapha Marques/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 18h14.
Os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro registraram aumento de 24% no número de patrocínios em 2025. Ao todo, 164 marcas estamparam os uniformes das 20 equipes da elite nacional, ante 132 parcerias em 2024. Foi o melhor resultado desde 2021, quando 172 empresas estiveram presentes nas camisas dos clubes.
Os dados fazem parte do Mapa do Patrocínio de Uniformes do Futebol Brasileiro, levantamento produzido pelo Ibope Repucom desde 2017. No primeiro ano da série histórica, foram registradas 87 parcerias. Em termos percentuais, o crescimento de 2025 foi o mais elevado desde 2019, quando a expansão chegou a 30%.
A pesquisa considera patrocínios fixos, pontuais e fornecedores de material esportivo. Segundo o estudo, a taxa de permanência das marcas foi de 55%, o que indica que cerca de seis em cada dez patrocinadores de 2024 mantiveram seus acordos em 2025. Do total de contratos firmados na última temporada, 30 foram classificados como pontuais.
Para Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e especialista em finanças no esporte, o aumento reflete uma mudança na percepção do mercado. “O futebol brasileiro tem evoluído bastante como negócio e já há um tempo passou a ser percebido como um ativo financeiro relevante e com capacidade real de gerar retornos atraentes", diz.
Segundo ele, o protagonismo do setor financeiro nas camisas indica uma mudança de posicionamento das marcas, que buscam não apenas visibilidade, mas associação a propriedades com alto engajamento e recorrência de consumo. "O desafio dos clubes é converter o volume de parcerias em contratos mais duradouros, capazes de reduzir a dependência de receitas pontuais."
Em 2025, o setor financeiro liderou, pelo terceiro ano consecutivo, o número de parcerias na Série A, com 26 marcas. O segmento imobiliário, de construção e acabamentos ficou em segundo lugar, com 16 marcas. As casas de aposta ocuparam a terceira posição, com 18 marcas, crescimento de 30% em relação a 2024. Alimentação (12 marcas) e saúde (11) completam o Top 5.
Entre os clubes, o Fortaleza foi o que reuniu o maior número de patrocinadores na temporada, com 20 marcas diferentes em seu uniforme. O clube lidera esse ranking de forma consecutiva desde 2019. Santos e Ceará aparecem na sequência, com 18 e 17 acordos, respectivamente.
No Internacional, o crescimento veio acompanhado de diversificação de segmentos. “Em 2025, o clube ampliou a quantidade de patrocinadores e passou a trabalhar com uma base mais diversa, com a entrada de marcas como Alfa, Allu, KNN, Amigo e Olina”, diz Alexandre Godoy, diretor de Negócios do Internacional.
Parte da estratégia, explica ele, envolve o uso de patrocínios pontuais como porta de entrada para novos parceiros, com mensuração de resultados apoiada em tecnologia e parcerias com o Ibope Repucom e a Horizm. Ao mesmo tempo, o clube mantém contratos de longa duração com a Unimed, há 22 anos, e com o Banrisul, há 24, considerados os patrocínios mais longevos do futebol brasileiro.
O movimento de expansão também alcançou empresas do mercado de consórcios. Um dos acordos mais consolidados é o da Multimarcas com o Atlético-MG, que chega ao sétimo ano de parceria. A empresa, que atua há quatro décadas no setor, soma mais de 50 mil consorciados contemplados e cerca de 250 lojas no país e no Distrito Federal.
Segundo Thales Rangel Mafia, gerente de marketing da Multimarcas Consórcios, a ampliação dos formatos de ativação favorece esse tipo de investimento. “Os clubes democratizaram os espaços para receber novos parceiros, tanto nas camisas como em projetos especiais, canais digitais, redes sociais e produtos licenciados. Isso cria alternativas para investimentos de forma sustentável”, afirma.
Para Heraldo Evans, gerente comercial da Recoma, que patrocinou o Ceará em 2025, o interesse das marcas acompanha a valorização do produto futebol. “O mercado entende que o esporte representa uma chance de se conectar com um público que consome este esporte diariamente. Esses investimentos são fundamentais para o equilíbrio financeiro dos clubes”, diz.
Na avaliação de Ivan Martinho, professor de marketing esportivo da ESPM, a diversidade de segmentos reforça o papel do futebol como ativo de comunicação no país. “Ao mesmo tempo, a alta rotatividade de marcas mostra que o mercado ainda opera com contratos curtos e foco excessivo em exposição, quando o maior potencial do patrocínio está na construção de valor ao longo do tempo”, finaliza.