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O nascimento do Garoto Bombril

Para Petit, a propaganda brasileira era muito arrogante e dirigia-se à mulher com muita informalidade

São Paulo - Em 1978, a DPZ ganhou a conta da empresa Bombril. O primeiro job não seria para as palhas de aço de 1001 utilidades, slogan que, aliás, foi criação da antecessora McCann Erickson. Não.

A missão da DPZ era promover um detergente da marca, um produto que prometia ser menos prejudicial para a pele da dona de casa.

Washington Olivetto, então redator da agência e Francesc Petit, sócio e diretor de arte, sabiam que era tempo de mudança. "Estávamos vivendo uma época em que as mulheres se encantavam mais com a fragilidade do Woody Allen do que com a macheza do John Wayne", diz Olivetto em trecho do livro "Na Toca dos Leões".

Para Petit, a propaganda brasileira era muito arrogante e dirigia-se à mulher com muita informalidade. "Na minha cabeça o que pintava era um jovem vendedor de 22 anos de idade, magrinho, educado, meio funcionário do Bradesco", conta o "P" da DPZ, também no livro de Fernando Morais.

Com o personagem na cabeça, restava encontrar o ator. A missão foi dada à produtora ABA, de André Bukowinski.

Oscar Caporale, sócio de Bukowinski à época, deu a dica: o jovem Carlos Alberto Bonetti Moreno, ou Carlinhos Moreno, como era conhecido. Arquiteto formado pela USP com mestrado em design gráfico, o rapaz tinha relação de longa data com o teatro. Desde os onze anos participava de cursos. A profissionalização só veio no fim dos anos 70.

Moreno fez o teste, foi escolhido e dali em diante nunca mais seria o mesmo. Nascia o "Garoto Bombril", um garoto-propaganda que entraria para o Guinness Book como o de maior tempo de permanência no ar, a partir do décimo sexto ano de execução e mais de 340 filmes.

O personagem tímido e que dizia que o produto tinha "um negócio" na fórmula fez de Moreno celebridade do dia para noite.

Os filmes renderam prêmios e lançaram DPZ, Olivetto e o próprio ator ao estrelato.

Um clássico.

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