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Como Vozinha pode lucrar com a fama conquistada na Copa do Mundo

Para ex-executivo de Flamengo e Corinthians, seguidores não garantem receita, mas a narrativa é o maior trunfo do goleiro de Cabo Verde

Josimar Dias, o Vozinha: goleiro de Cabo Verde ganhou quase 8,5 milhões em 24 horas após a partida contra a Espanha ((Foto: Justin Setterfield/Getty Images via AFP))

Josimar Dias, o Vozinha: goleiro de Cabo Verde ganhou quase 8,5 milhões em 24 horas após a partida contra a Espanha ((Foto: Justin Setterfield/Getty Images via AFP))

Soraia Alves
Soraia Alves

Repórter de Marketing

Publicado em 18 de junho de 2026 às 15h35.

Três dias após estrear na Copa do Mundo defendendo a seleção de Cabo Verde, o goleiro Josimar Dias, conhecido como Vozinha, soma incríveis 13,6 milhões de seguidores no Instagram. Antes da partida contra a Espanha, o atleta contava com 50 mil seguidores.

O ganho em tempo recorde – foram quase 8,5 milhões em 24 horas –, impulsionado especialmente pelo engajamento dos brasileiros, lembra o que acontece com muitos participantes de reality shows. Mas, para Bernardo Pontes, CEO e sócio-fundador da ALOB Sports e ex-executivo de marketing de clubes como Flamengo, Corinthians, Vasco, Fluminense e Cruzeiro, o futebol produz uma dinâmica muito particular de engajamento.

“O futebol e os reality shows compartilham ingredientes essenciais: o real time e a paixão. Mas uma Copa do Mundo reúne bilhões de pessoas ao mesmo tempo. Quando um atleta se destaca nesse cenário, ele não está disputando atenção com mais nada”, avalia.

Seguidores x receita

Apesar da explosão numérica, Pontes faz uma distinção importante: audiência e faturamento não são a mesma coisa.

“Seguidor não é sinônimo de receita.”

Ainda assim, o caráter orgânico do crescimento de Vozinha representa um ativo valioso. Mais do que um volume de pessoas, existe uma narrativa por trás do fenômeno: um goleiro de 40 anos, representante de um país pouco conhecido no cenário internacional, transformado em símbolo de superação durante o principal torneio de futebol do mundo.

“Em termos comerciais, um atleta com esse alcance, e nesse contexto de Copa do Mundo, pode, sim, movimentar contratos relevantes. Mas o número sozinho não garante nada. Já vi atletas com milhões de seguidores e pouco valor de mercado para marcas. O Vozinha tem algo raro: ele chegou a esses milhões com uma história que as pessoas querem contar para outros. Isso é ouro”, analisa Pontes.

Embaixador de Cabo Verde

Para o especialista, o caso de Vozinha também ajuda a reforçar que nem toda explosão de popularidade pode ser convertida em negócio. Boa parte dos fenômenos digitais desaparece com a mesma velocidade com que surge. O que diferencia alguns casos é a existência de atributos capazes de sustentar uma identidade de marca.

No caso do goleiro de Cabo Verde, há elementos que permitem conexões com setores diversos, como alimentação, bebidas, serviços financeiros, turismo e vestuário.

“Qualquer marca que queira se associar à autenticidade tem um ponto de conexão genuíno com ele”, avalia Pontes.

Há ainda um potencial de posicioná-lo como embaixador informal de Cabo Verde, aproveitando a curiosidade internacional despertada pelo desempenho da seleção.

Atenção tem prazo de validade

O momento é favorável, mas também é passageiro. Pontes reforça que no marketing esportivo, existe uma espécie de janela de oportunidade que costuma durar apenas alguns dias ou semanas. A Copa oferece um período um pouco mais longo de exposição, mas o relógio já está correndo.

Para os próximos meses, a recomendação do especialista passa por profissionalizar a gestão da imagem de Vozinha, estruturar uma equipe especializada e fortalecer o relacionamento com a nova base de fãs. A estratégia pode envolver desde uma presença digital mais organizada até aproximações com mercados de maior potencial comercial, como o brasileiro.

“Isso não significa fechar qualquer contrato com pressa, mas ter uma estratégia, estar ativo, gerando conteúdo, sendo visto. A receita pode vir em ondas: uma ativação imediata durante a Copa e contratos estruturados de médio prazo fechados nos próximos 60 dias”, sugere.

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