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Pix completa 5 anos com novas versões e favoritismo do brasileiro

Ferramenta criada pelo Banco Central se tornou o principal meio de pagamento do país, superando dinheiro e impulsionando a inclusão financeira

PIX: ferramenta completa cinco anos de criação (Bruno Peres/Agência Brasil)

PIX: ferramenta completa cinco anos de criação (Bruno Peres/Agência Brasil)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 16 de novembro de 2025 às 06h00.

Última atualização em 1 de dezembro de 2025 às 10h19.

Responsável pela inclusão financeira de milhões de pessoas, neste domingo, 16, o Pix completa cinco anos. A ferramenta provocou mudanças estruturais nos meios de pagamento e já está totalmente integrado à rotina do brasileiro.

Este ano, até setembro, o Pix movimentou R$ 25 trilhões em transações, segundo dados do Banco Central (BC). No mesmo período de 2024, esse número foi de R$ 18,7 trilhões, o que representa um aumento de 34%. Em número de transações, de janeiro a setembro de 2025, foram 57,4 bilhões, frente a 45,5 bilhões na mesma época — um aumento de 26,15%.

“Os bancos associados investem cerca de R$ 5 bilhões por ano para garantir transações seguras”, informa a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Os números mostram esse avanço: em 2020, foram 176,2 milhões de transações no Pix, movimentando R$ 149,8 bilhões de volume financeiro. Em 2021, foram 9,43 bilhões de transação no Pix, aproximadamente R$ 5,2 trilhões movimentados.

Já no ano seguinte, foram 24,04 bilhões de transações e R$ 10,9 trilhões de volume financeiro. Em 2023, houve 41,87 bilhões de transações realizadas, com um volume financeiro de R$ 17,2 trilhões. Em 2024, foram movimentados R$ 26,4 trilhões em 63,41 bilhões de transações.

“O Pix inaugurou uma nova era nos meios de pagamento porque atacou três pilares essenciais da experiência financeira do brasileiro: simplicidade, instantaneidade e custo acessível. Ele unificou um desejo latente da população por um método rápido, seguro e universal. Não foi apenas um avanço tecnológico; foi um avanço cultural”, afirma Eduardo Sgobbi, CEO do Edan Finance Group e contador especializado nos meio de pagamentos.

Segundo ele, o Pix impulsionou milhões de brasileiros para dentro do sistema digital, especialmente aqueles que tinham resistência ao uso tradicional dos bancos. Ao todo, 71,5 milhões de brasileiros passaram a fazer pagamentos digitais após o lançamento do PIX.

O próprio desenho regulatório favoreceu isso: cadastro fácil, operação sem tarifas ao usuário comum e ampla interoperabilidade entre instituições.

E ele chegou para fazer substituir alguns meios, como cheque e dinheiro em espécie.

“O grande inimigo do Pix é o dinheiro em espécie”, diz Renato Dias de Brito Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC.

Quem caiu em golpe no Pix poderá ter o dinheiro devolvido mais facilmente com mudança pelo BC

Como o brasileiro lida com o Pix?

Os dados da pesquisa “O brasileiro e sua relação com o dinheiro”, do BC, mostram que a cada 100 brasileiros, 76 utilizam o Pix para pagar contas ou fazer compras. O estudo ouviu 1 mil pessoas e 1 mil empresas e tem um nível de confiança de 95%, com margem de erro de 3,1%. O período foi de 28 de maio a 1º de julho de 2024 — os dados mais recentes. A amostra considerou todas as capitais e cidades com mais de 100 mil habitantes.

Ao serem questionados sobre quais meios de pagamento costumam utilizar para pagar as suas contas e/ou fazer compras, o Pix lidera o ranking, subindo de 46,1% em 2021 para 76,4% em 2024. Em contrapartida, o uso do dinheiro em espécie caiu de 83,6% para 68,9%.

“O cheque já é estatisticamente marginal no varejo. No ambiente corporativo, ainda existe pela sua função documental, mas tende a desaparecer conforme soluções digitais evoluem e ganham força jurídica”, diz Sgobbi.

Mas o que não deve desaparecer é o cartão de crédito, porque ele não é apenas um meio de pagamento: é uma linha de crédito associada a benefícios, prazos e modelos de negócio consolidados.

Marisa Rossignoli, conselheira do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP), relembra o extinto DOC. Já Sgobbi diz que o cartão de crédito “terá de se reinventar para competir com o avanço do Pix” — e ele avança rápido. No último ano, houve a criação do Pix Agendado, Pix Automático, Pix por Aproximação e, agora, o mercado aguarda o Pix Parcelado.

Inovações do Pix

“A inovação do Banco Central não foi apenas criar o Pix, mas sim criar uma plataforma evolutiva”, diz Sgobbi. Cada modalidade atende necessidades específicas, listou o CEO:

  • Pix Automático: resolve os débitos recorrentes, como assinaturas e mensalidades de contas de consumo e plataformas de streaming.
  • Pix Agendado: promove organização financeira e previsibilidade, reduzindo despesas com juros por esquecimento.
  • Pix por Aproximação: integra o Pix à experiência do NFC e aos hábitos consolidados nos smartphones, facilitando o uso para quem já está acostumado com cartões nas wallets.
  • Pix Parcelado: amplia o acesso a compras maiores sem depender exclusivamente do cartão de crédito tradicional. Esse modelo aumenta naturalmente o poder de compra dos consumidores, com custos financeiros potencialmente menores do que o cheque especial.

Para Rossignoli, essas modalidades fizeram com que, hoje, aproximadamente 51% das transações financeiras ocorram por meio do Pix.

“Por exemplo, o Pix agendado em substituição ao débito automático. São formas eficientes e baratas para pagamento das contas por parte das pessoas físicas e para o recebimento por pessoas jurídicas também”, afirma.

‘Faz um Pix para mim’

O uso de Pix, por recorte de gênero, tem frequência parecida : 74,5% (feminino) e 78,4% (masculino). Por idade, nove em cada 10, aproximadamente, das faixas etárias de 16 a 24 anos, 25 a 34 anos e 35 a 44 anos utilizam o Pix. De 45 a 59 anos, esse número é sete em cada 10, enquanto 60 anos ou mais é quatro em cada 10.

Em relação à renda, 91,7% dos que recebem mais de 10 salários mínimos usam o Pix, seguidos por cinco a 10 salários mínimos (80%) e dois a cinco salários mínimos (79,9%). Até dois salários mínimos, essa porcentagem cai para 67,8% — mas ainda é relativamente alta.

Considerando Pix, cartão de crédito, cartão de débito e dinheiro, o Pix, segundo os entrevistados, é o mais vantajoso em relação à segurança, obtenção de descontos, facilidade de uso, custos, controle de gastos, aceitação pelos estabelecimentos, gastos emergenciais e comodidade.

No comércio, o dinheiro é a forma de pagamento mais aceita (99,1% em 2024) no estabelecimento onde a pessoa trabalha, seguido por Pix (98,7%). Em relação à frequência, o cartão de crédito é o mais comum (41,9% em 2024). Logo na sequência vem o Pix, que cresceu de 8,8% em 2021 para 25,7% em 2024.

“O Pix reduziu drasticamente o custo do recebimento, especialmente no varejo e nos pequenos negócios, onde o impacto do MDR (taxa das maquininhas) é significativo”, ressalta Sgobbi.

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