Entregador do Uber Eats: empresa reforça presença no delivery global (Carsten Koall/Getty Images)
Repórter de Invest
Publicado em 17 de abril de 2026 às 07h10.
A Uber acabou de aumentar sua participação na alemã Delivery Hero. A empresa comprou mais 4,5% das ações por 270 milhões de euros ou cerca de US$ 318 milhões, em uma transação feita com a Prosus, dona do iFood.
O movimento reforça a aposta da Uber no mercado global de delivery, em um momento em que o setor passa por mudanças impulsionadas por regulações na Europa e por uma onda de consolidação.
A operação foi fechada a 20 euros por ação. O valor fica abaixo do preço de fechamento do dia anterior — quando o papel subiu 7% —, mas representa um prêmio de 22% em relação à média dos últimos 30 dias.O movimento, além disso, não é isolado, visto que, em 2024, a empresa já tinha investido cerca de US$ 300 milhões em ações recém-emitidas da Delivery Hero. As informações foram divulgadas pela CNBC.
A venda por parte da Prosus não é só uma decisão de mercado, mas faz parte de uma exigência regulatória.
A empresa precisa reduzir sua participação na Delivery Hero para conseguir aprovação da Comissão Europeia na compra da Just Eat Takeaway, negócio avaliado em 4,1 bilhões de euros.
Depois dessa e de outras vendas, a fatia da Prosus na Delivery Hero caiu de cerca de 27% para algo em torno de 21%. A companhia já sinalizou que segue vendendo ativos para cumprir o prazo imposto pelos reguladores.
Dados divulgados pelo Financial Times mostram que autoridades da União Europeia (UE) discutem uma possível flexibilização das regras antitruste, com foco em inovação, investimentos e competitividade global.
A comissária de concorrência da UE, Teresa Ribera, afirmou à CNBC que o bloco quer estimular "fusões pró-competitivas", com potencial para fortalecer empresas europeias no cenário internacional.
"Precisamos mudar isso para criar empresas realmente grandes na Europa", disse Fabricio Bloisi, CEO da Prosus em entrevista à CNBC. O executivo tem criticado a postura mais rígida da Europa em relação a fusões, defendendo que consolidações são essenciais para criar companhias com escala global.