Entregadores da Taobao Flash Buy em Pequim: gigantes chinesas como Alibaba e Meituan foram multadas por irregularidades em cadastros de restaurantes. (Foto: Cheng Xin/Getty Images) (Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 17 de abril de 2026 às 10h10.
Última atualização em 17 de abril de 2026 às 10h13.
Reguladores da China aplicaram multas que somam 3,6 bilhões de yuans (cerca de R$ 528 milhões) a plataformas de delivery por falhas no controle de restaurantes cadastrados. A penalidade atingiu gigantes como Alibaba, Meituan, PDD Holdings, além de JD.com e Douyin, o aplicativo de vídeos curtos da ByteDance.
A punição foi anunciada pela Administração Estatal para Regulação de Mercado, ou State Administration for Market Regulation (SAMR), que apontou falhas no processo de verificação de comerciantes. Segundo o órgão, as empresas permitiram a operação de lojas sem licença ou com registros falsificados.
De acordo com a agência estatal Xinhua, esta é a maior penalidade já aplicada ao setor de delivery desde a atualização da lei de segurança alimentar da China, em 2015. Além das multas, parte do valor inclui a apreensão de receitas obtidas de forma irregular.
As investigações foram impulsionadas por denúncias de “entregas fantasmas”, prática em que estabelecimentos utilizam endereços inexistentes e documentação fraudulenta para operar nos aplicativos. Em alguns casos, pedidos eram terceirizados para outros fornecedores sem o conhecimento dos consumidores.
O regulador afirmou que as plataformas não mantinham processos rigorosos de auditoria, como exige a legislação local. Após o início das apurações, todas removeram os comerciantes irregulares. Executivos e responsáveis legais pelas áreas de segurança alimentar também foram multados em um total de 19,7 milhões de yuans.
O setor de delivery instantâneo na China, equivalente ao mercado onde operam iFood, 99 e Keeta no Brasil, vive uma disputa acirrada entre plataformas, com guerras de preços para manter participação de mercado. Esse cenário ampliou a pressão sobre margens e incentivou práticas consideradas irregulares pelas autoridades.
Nos últimos meses, reguladores intensificaram a fiscalização e emitiram alertas às empresas mais agressivas do setor, cobrando maior proteção a consumidores e comerciantes.