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Trump volta a subir tom contra Powell: 'ou é incompetente ou corrupto'

Declarações de Trump e apuração sobre gastos do Fed elevam ruído político sobre política monetária

Política monetária: embate entre Trump e Powell amplia ruído institucional (Carlos Barria/Reuters)

Política monetária: embate entre Trump e Powell amplia ruído institucional (Carlos Barria/Reuters)

Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 16h05.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar o tom contra o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, ao chamá-lo publicamente de “incompetente” ou “corrupto”. As declarações ocorrem em meio ao avanço de uma investigação criminal conduzida pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre o estouro do orçamento nas obras de reforma da sede do Banco Central, em Washington.

“Ele está bilhões acima do orçamento. Então, ou é incompetente ou é corrupto. Não sei o que ele é, mas certamente não faz um bom trabalho”, afirmou o presidente, ao ser questionado por jornalistas sobre o impacto da investigação na credibilidade do Fed.

As falas ocorrem num momento em que cresce, inclusive entre aliados do republicano, a defesa da autonomia do Fed frente ao Executivo. Mais cedo, o CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, disse que qualquer tentativa de enfraquecer essa independência tende a produzir efeitos contrários aos desejados.

“Isso provavelmente elevará as expectativas de inflação e, ao longo do tempo, aumentará os juros”, afirmou, após a divulgação dos resultados trimestrais do banco.

No Congresso, o tom foi semelhante. O senador republicano John Kennedy, integrante do Comitê Bancário, declarou que um embate direto entre o Executivo e o banco central é a forma mais eficiente de garantir que os juros subam, e não caiam. “Não precisamos disso”, disse.

Nos bastidores, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, teria alertado Trump de que a ofensiva do Departamento de Justiça pode dificultar os planos para a confirmação do próximo presidente do Fed, quando o mandato de Powell se encerra, em maio. Ainda assim, a procuradora federal em Washington, Jeanine Pirro, indicou que não há intenção de recuar da investigação.

Em publicação nas redes sociais, Pirro afirmou que o Fed foi procurado diversas vezes para prestar esclarecimentos sobre os custos da reforma e sobre o testemunho de Powell no Senado, sem sucesso. Segundo ela, o uso de instrumentos legais foi necessário e não configura ameaça. “O termo ‘indiciamento’ partiu do próprio Powell. Nada disso teria acontecido se houvesse cooperação”, escreveu.

No domingo, Powell afirmou que seu gabinete recebeu intimações de um grande júri e a ameaça de um indiciamento criminal relacionado a declarações anteriores ao Congresso. Em um vídeo, o presidente do Fed ligou diretamente a investigação às críticas recorrentes de Trump à condução da política monetária. Segundo ele, a pressão seria uma reação ao fato de o banco central definir os juros com base em critérios técnicos, e não nas preferências do presidente.

Trump, por sua vez, nega qualquer relação entre a investigação e sua insatisfação com o nível das taxas de juros. Em entrevista à NBC News, disse que não exerce pressão por meios legais. “O que deveria pressioná-lo é o fato de que os juros estão altos demais. Essa é a única pressão”, afirmou.

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