Rio Tinto: cobre e lítio estão no centro de novos negócios. (Tony Ashby-Pool/Getty Images/Getty Images)
Repórter de Invest
Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 08h51.
A mineradora anglo-australiana Rio Tinto encerrou as negociações de fusão com a rival Glencore. A companhia decidiu abandonar as tratativas há duas semanas, optando por focar em sua própria produção, além de expandir sua atuação em metais essenciais para a transição energética.
O CEO da Rio Tinto, Simon Trott, que liderou as conversas, afirmou que, embora o diálogo tenha sido construtivo, a empresa não conseguiu estabelecer um caso de valor que justificasse a fusão, e não almeja voltar ao setor de mineração de carvão, do qual já se retirou há uma década.
Trott foi enfático ao sinalizar um compromisso com o portfólio voltado para a sustentabilidade e para a energia limpa, de acordo com falas divulgadas pelo Financial Times, mesmo que a eventual concretização do negócio seria responsável por criar a maior mineradora do mundo.
A nova fase da Rio Tinto coloca o cobre como o pilar central de seus planos de expansão e 85% do orçamento de exploração da companhia está sendo direcionado para projetos envolvendo este metal, cuja demanda tem sido impulsionada pela construção de centros de dados para inteligência artificial.
No último ano, a mineradora registrou um aumento de 11% na produção do cobre, segundo dados reportados pelo FT. Trott destacou que a empresa possui uma "visibilidade clara" para estender seu perfil de crescimento até a próxima década, ancorada em um portfólio de alta qualidade voltado para o metal vermelho.
A Rio Tinto tem, ainda, intensificado investimentos em lítio, mineral fundamental para a fabricação de baterias de veículos elétricos (EVs). O desenvolvimento desse setor foi integrado à divisão de alumínio da mineradora, com um salto de 29% no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado.
A empresa aumentou, também, sua participação em uma desenvolvedora de lítio em Quebec, no Canadá, buscando diversificar sua base de ativos em um momento em que o minério de ferro — que ainda representa 56% do resultado operacional da companhia — enfrenta pressões devido à menor demanda no mercado chinês.
A Rio Tinto reportou Ebitda ajustado de US$ 25,4 bilhões em 2025, avanço de 9% na comparação anual. Já o lucro líquido somou US$ 10 bilhões, recuo de 14% em relação ao exercício anterior e o menor nível em cinco anos, pressionado por maiores despesas com depreciação, impostos e encargos financeiros.
Trott, que assumiu o cargo em agosto, vem reforçando na companhia uma estratégia voltada à geração de valor por meio da venda de ativos não essenciais e da formação de parcerias em infraestrutura, bem como a um portfólio mais alinhado à transição energética e à economia de baixo carbono, segundo fontes ouvidas pelo FT.