Infraestrutura: concessões exigem gestão de risco, tecnologia e visão de longo prazo. (Carla Gottgens/Bloomberg via/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 09h12.
Última atualização em 9 de janeiro de 2026 às 09h39.
A mineradora anglo-australiana Rio Tinto confirmou que está em negociações iniciais para comprar a Glencore, em um movimento que pode resultar na maior empresa de mineração do mundo em valor de mercado. Juntas, as companhias somariam cerca de US$ 207 bilhões (cerca de R$ 1,4 trilhão na cotação atual).
As conversas marcam a segunda rodada de tratativas em pouco mais de um ano. A Glencore havia procurado a Rio Tinto no fim de 2024, mas o acordo não avançou à época. Desta vez, as empresas dizem que ainda há incerteza sobre os termos e sobre a conclusão de qualquer operação.
Segundo comunicado divulgado na quinta-feira, 8, a expectativa é que a transação envolva a compra, por meio de troca de ações, de “parte ou da totalidade” da Glencore pela Rio Tinto. Não há detalhes sobre quem comandaria a companhia combinada.
Analistas do banco Jefferies afirmaram que a estrutura de uma possível fusão ainda é pouco clara e deve ser complexa, mas veem espaço para criação relevante de valor para ambas as empresas caso o negócio avance.
De acordo com as regras de aquisições do Reino Unido, a Rio Tinto tem até 5 de fevereiro para apresentar uma oferta formal pela Glencore ou anunciar que não seguirá com a proposta. A retomada das conversas foi revelada inicialmente pelo jornal Financial Times.
A confirmação das negociações mexeu com o mercado nesta sexta-feira, 9. As ações da Glencore negociados em Londres chegaram a avançar quase 10%. Já as ações da Rio Tinto tiveram queda, com recuo de 6,3% na bolsa australiana e de 2,3% em Londres.
A possível operação ocorre em meio a uma corrida global das grandes mineradoras para ampliar exposição a metais como o cobre, impulsionados pela transição energética e pela demanda crescente de data centers ligados à inteligência artificial.
Mudanças recentes na liderança da Rio Tinto também influenciam o contexto das negociações. O novo CEO, Simon Trott, assumiu em agosto com o objetivo de tornar a companhia mais enxuta e aberta a grandes negócios, após a rejeição da abordagem da Glencore em 2024.