Agenda do mercado: no Brasil, o grande evento do dia é a divulgação do IPCA-15 de janeiro, às 9h (Daniel Roland /AFP)
Repórter
Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 05h30.
Depois de um pregão de acomodação na bolsa brasileira, o mercado começa esta terça-feira, 27, tentando entender se o fôlego do rali recente se sustenta ou se o movimento de realização ganha mais força.
Na segunda-feira, o Ibovespa caiu 0,08%, aos 178.720 pontos, em um dia típico de ajuste após uma sequência de quatro recordes históricos, com o índice tendo flertado pela primeira vez com a marca dos 180 mil pontos na semana passada.
A expectativa em torno da “superquarta”, quando Brasil e Estados Unidos decidem os rumos da política monetária, segue como pano de fundo. Mas a pergunta agora é o que pode mexer com os mercados hoje.
No Brasil, o grande evento do dia é a divulgação do IPCA-15 de janeiro, às 9h. O dado é acompanhado de perto porque antecipa a trajetória da inflação oficial e, principalmente, porque a composição do índice, em especial a dinâmica da inflação de serviços, tem potencial de influenciar as expectativas para o mercado de juros.
No último IPCA-15, divulgado em 23 de dezembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), o índice avançou 0,25%, acima do resultado de novembro, encerrando o ano com alta acumulada de 4,41%, mas abaixo da expectativa do mercado.
Antes disso, às 8h, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulga o Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M), indicador relevante para o setor de construção.
Já às 11h30, o Tesouro Nacional realiza leilão de LFTs e NTN-Bs, operação que costuma ser observada pelo mercado em busca de sinais sobre a demanda por títulos públicos e a percepção de risco em meio à expectativa de cortes na Selic ao longo do primeiro semestre deste ano.
No exterior, a agenda também é carregada e dialoga diretamente com o debate sobre juros. Nos Estados Unidos, às 10h15, sai a média móvel semanal de criação de vagas no setor privado, medida pelo ADP, um dado que ajuda a calibrar a leitura sobre o mercado de trabalho.
Ao meio-dia, o Conference Board divulga o índice de confiança do consumidor de janeiro, termômetro do humor das famílias americanas e do ritmo da atividade econômica.
Ainda no mercado americano, às 15h, o Tesouro dos EUA realiza leilão de T-notes de cinco anos, em um momento de atenção redobrada à curva de juros, às vésperas da decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA).
Na Europa, o radar se volta para a fala da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, às 14h. Investidores buscam pistas sobre a avaliação da autoridade monetária em relação à inflação e ao crescimento na zona do euro.
O dia termina com foco na Ásia. Às 20h50, serão divulgadas as atas da última reunião de política monetária do Banco do Japão.
No calendário corporativo, os investidores acompanham balanços relevantes nos Estados Unidos. Estão no radar os resultados de American Airlines, UnitedHealth, Boeing e General Motors, que ajudam a compor o quadro sobre o desempenho de setores como aviação, saúde, indústria e automotivo.