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Posts de Trump podem virar serviço pago para bancos e traders

Serviço pago da Trump Media dá acesso antecipado a posts que já provocaram oscilações no mercado

Truth Social: rede social da Trump Media (Anna Barclay/Getty Images)

Truth Social: rede social da Trump Media (Anna Barclay/Getty Images)

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 17 de julho de 2026 às 10h35.

A Trump Media & Technology Group (TMTG), controladora do Truth Social, vai cobrar de bancos e firmas de trading para dar acesso instantâneo às publicações mais influentes da rede, incluindo as do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O novo produto, batizado de Truth API, entrega posts das dez contas mais influentes da plataforma em velocidade muito superior à das notificações comuns do aplicativo, segundo um porta-voz da empresa. O lançamento está marcado para 1º de agosto.

Quem vai pagar

O serviço é voltado a instituições "mais impactadas pelo custo de um atraso na informação", como firmas de trading algorítmico de alta frequência, afirmou a TMTG em comunicado. A empresa não revelou valores de assinatura.

Segundo o Wall Street Journal, alguns clientes institucionais já teriam se cadastrado antes mesmo do lançamento oficial.

O serviço funcionará 24 horas por dia, sete dias por semana, prometendo entregar posts a clientes pagantes em milissegundos. A oferta também incluirá um arquivo histórico com publicações desde 2022.

"Mercados já se movem com posts do Truth Social"

O CEO interino da Trump Media, Kevin McGurn, defendeu o novo produto como uma fonte relevante de receita para a companhia, que enfrenta dificuldades para gerar caixa e evitar prejuízos bilionários.

"Mercados já se movem com posts do Truth Social. À medida que a adoção cresce, esperamos que a Truth API se torne uma fonte de receita significativa e contínua para a empresa", disse McGurn.

O executivo afirmou que empresas vêm copiando dados da plataforma sem autorização há meses e prometeu bloquear esse tipo de acesso. "Vamos criar muito atrito para essas pessoas que não vierem diretamente até nós".

Histórico de posts que abalaram mercados

Os posts de Trump já provocaram oscilações bruscas em mercados globais em diversas ocasiões, especialmente sobre comércio e tarifas. Mudanças na política tarifária no ano passado moveram preços de ações em questão de instantes, e durante a guerra entre Estados Unidos e Irã, publicações do presidente sobre negociações de paz chegaram a derrubar contratos futuros de petróleo.

A conta de Trump no Truth Social é a mais seguida da plataforma, com 12,9 milhões de usuários. Seus filhos Donald Trump Jr. e Eric Trump também têm grande número de seguidores na rede.

Conflito de interesses

Trump detém cerca de 41% das ações da Trump Media. Isso significa que o presidente pode lucrar diretamente com a venda de acesso antecipado às suas próprias declarações públicas, aponta a BBC.

O investidor Mark Spiegel, da Stanphyl Capital Management, disse ao veículo britânico que seria "sem precedentes" se a funcionalidade realmente incluir os posts do presidente. Spiegel avaliou que empresas que operam com base nas últimas notícias ficariam "em desvantagem" caso não pagassem pelo acesso rápido, mas ponderou: "para colocar isso em contexto, lembre-se de que os posts de Trump constituem apenas uma fração minúscula do que move os mercados", disse o investidor.

Robert Frenchman, sócio do escritório de advocacia americano Dynamis, avaliou que a prática não infringe a legislação. "Certamente não parece justo, mas sim, uma plataforma de tecnologia pode segmentar a distribuição de informação sem violar as leis federais de mercado de capitais", disse Frenchman à Reuters.

Diversificação de negócios

A Trump Media lançou uma série de iniciativas desde sua abertura de capital em 2024, da plataforma de streaming a reserva de criptomoedas, acumulando perdas relevantes no processo. A empresa também trabalha para fechar uma fusão com uma companhia do setor nuclear.

*com agências internacionais

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