Shein: website de moda foi um dos principais afetados pelas taxas de importação do governo brasileiro (Tuane Fernandes/Bloomberg /Getty Images)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 17 de julho de 2026 às 10h24.
Última atualização em 17 de julho de 2026 às 10h41.
As compras internacionais de produtos de até US$ 50 voltaram a crescer com força após a extinção da chamada "taxa das blusinhas". Em junho, primeiro mês completo sob as novas regras, o volume de encomendas aumentou 40% em relação a maio e avançou 74% na comparação com abril, último mês integral em que o imposto federal ainda era cobrado, segundo dados da Receita Federal analisados pelo BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME).
O levantamento mostra que as importações realizadas pelo programa Remessa Conforme totalizaram R$ 2,6 bilhões em junho, uma alta de 101% sobre o mesmo mês do ano anterior e de 68% em relação a junho de 2024, evidenciando uma forte retomada das compras internacionais de baixo valor após a redução da carga tributária.
A mudança entrou em vigor em 12 de maio, quando o governo zerou novamente a alíquota federal para compras de até US$ 50. Com isso, junho foi o primeiro mês a refletir integralmente o novo regime. O ICMS estadual, porém, continua sendo cobrado nessas operações.
Segundo o relatório do BTG Pactual, o número de remessas internacionais cresceu 116% na comparação anual e 40% em relação ao mês anterior. Para os analistas do banco, a resposta rápida dos consumidores mostra que a redução da tributação reacendeu a demanda por plataformas estrangeiras.
O imposto federal de 20% sobre compras de até US$ 50 havia sido criado em agosto de 2024, após a implementação do programa Remessa Conforme. A cobrança ficou conhecida como "taxa das blusinhas" por atingir principalmente produtos vendidos por plataformas asiáticas de comércio eletrônico, como a Shein.
Com a revogação desse tributo, a alíquota federal voltou a 0% para compras de até US$ 50. Apesar disso, a carga tributária ainda permanece superior à existente antes da criação do Remessa Conforme, já que o ICMS continua incidindo sobre essas importações.
Embora considerem os números um sinal negativo para o varejo brasileiro, especialmente para o setor de vestuário e outras categorias de consumo discricionário, os analistas do BTG avaliam que as empresas nacionais estão hoje mais preparadas para enfrentar a concorrência internacional.
Segundo o banco, desde a criação do Remessa Conforme, as principais varejistas brasileiras reforçaram suas operações logísticas, ampliaram a competitividade em preços, expandiram suas plataformas de comércio eletrônico, reduziram prazos de entrega e melhoraram sua proposta de valor.
Na avaliação do relatório, essas mudanças tornam o setor mais resiliente do que em ciclos anteriores de expansão das importações, mesmo com o avanço esperado de plataformas como Shein, Shopee e AliExpress, que seguem sendo as principais concorrentes nas compras internacionais de baixo custo.