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Tarifaço de Trump: por que o dólar caiu nesta quinta-feira?

Enquanto as tarifas de Trump fazem o dólar cair, analista do Inter acredita que o Brasil pode ser beneficiado

Analistas concordam que, daqui para frente, a dinâmica do dólar vai depender do que prevalecerá em respostas às tarifas. (Designed by/Freepik)

Analistas concordam que, daqui para frente, a dinâmica do dólar vai depender do que prevalecerá em respostas às tarifas. (Designed by/Freepik)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 3 de abril de 2025 às 15h12.

Última atualização em 3 de abril de 2025 às 18h47.

Pelo que tudo indica, por ora, os Estados Unidos serão os principais prejudicados com as tarifas anunciadas pelo presidente republicano Donald Trump. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a outras moedas, caiu 1,61%. Os investidores correram para outros países. O dólar caiu 1,79% em relação ao euro e 1,71% em relação ao iene.

Na visão de André Valério, economista sênior do banco Inter, se a economia americana absorver bem o choque, a tendência é que o dólar valorize de maneira global. Mas se o impacto das tarifas for extenso, a tendência é observar a continuidade do movimento de depreciação da moeda americana.

O Deutsche Bank alertou sobre o risco de uma crise de confiança no dólar americano, dizendo que grandes mudanças nas alocações de fluxo de capital podem assumir o controle dos fundamentos da moeda e os movimentos cambiais se tornarão desordenados.

Como fica o real com o tarifaço?

O real deve sofrer pouco, afirma Valério, do Inter. Para o analista, o impacto sobre a balança comercial brasileira deve ser pequeno, já que o fluxo comercial do Brasil com os Estados Unidos não é o mais relevante.

"Por outro lado, o efeito líquido das tarifas pode ser positivo, especialmente se houver retaliação por parte da China e da Europa. O Brasil tende a ganhar market share de suas exportações, à medida que essas regiões direcionem suas demandas para outro lugar, particularmente o agro, que sofre grande competição com o agro americano", explica. O fato de o Brasil ter sido menos taxado torna seus produtos relativamente mais competitivos em relação aos de outros países, o que pode resultar em maiores exportações aos Estados Unidos.

"Além do movimento global do dólar, o real se beneficia do elevado diferencial de juros entre a economia brasileira e americana, sendo um destino atrativo para parte desse fluxo. Com o movimento de queda nos juros de dez anos, esse fator se torna ainda mais significativo, ampliando o diferencial, o que deve permitir um alívio nas nossas taxas, devido à atratividade do real nesse cenário", finaliza.

Euro versus dólar

A queda fez com que o Citi recomendasse uma posição longa no euro. Os estrategistas do banco esperam que o dólar atinja seu nível mais fraco desde outubro de 2021.

Analistas concordam que, daqui para a frente, a dinâmica do dólar vai depender do que prevalecerá em respostas às tarifas. As primeiras reações do mercado apontaram que a visão é de que elas colocarão a economia americana em direção à recessão, com os juros de dez anos recuando fortemente.

Qual a diferença do dólar comercial para o dólar turismo?

O dólar comercial trata-se de milhares de dólares em transação no mercado de câmbio. Isso computa exportações, importações, transferências financeiras milionárias e que normalmente são feitas por grandes empresas e bancos.

Já o dólar turismo é comprado por pessoas físicas, normalmente em casas de câmbio, em menores quantidades para viagens ou até passado no cartão de crédito.

Por que o dólar turismo é mais caro?

A cotação do dólar turismo é mais cara, pois são compras muito menores do câmbio, ao contrário das transações feitas por grandes empresas e instituições. Logo, seu custo operacional com transporte de notas e taxa de corretoras ficam mais alto.

Por que o dólar cai?

Basicamente, o preço em relação ao real é calculado em função da disponibilidade de dólares no mercado brasileiro. Ou, seja, quando há uma grande quantidade de moeda norte-americana no país, a tendência é que o preço dela caia em relação ao real, já a baixa disponibilidade da moeda, por outro lado, faz com que o câmbio norte-americano se valorize em relação a nossa moeda.

O Banco Central também tem o poder intervir na cotação. Quando a moeda americana dispara, é comum que o órgão use parte de sua reserva para injetar dólares na economia. Com mais disponibilidade, a cotação da moeda americana tende a cair.

Quais os impactos da queda do dólar?

A queda do dólar frente ao real traz impactos significativos para a economia brasileira. Entre os principais efeitos estão:

  • Exportações: Com um real mais valorizado, as exportações brasileiras tornam-se mais competitivas, impulsionando o setor e favorecendo a balança comercial.
  • Inflação: Uma cotação do dólar mais baixa pode ajudar a conter a inflação, uma vez que reduz o custo de importação de produtos.
  • Investimentos estrangeiros: Um real mais forte pode atrair investimentos estrangeiros para o país, impulsionando a economia e estimulando o crescimento de diversos setores.
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