Agenda do mercado: a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) segue no radar (Getty Images)
Repórter
Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 05h30.
Os mercados iniciam fevereiro com os investidores atentos não apenas à agenda cheia de indicadores desta segunda-feira, 2, mas também aos desdobramentos de acontecimentos recentes que devem seguir no centro do radar.
Entre eles está a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), anunciada na sexta-feira pelo presidente Donald Trump em um momento de debate sobre a independência do BC e o ritmo futuro dos juros.
Soma-se a isso o forte ajuste nos preços do ouro e da prata, que recuaram na sexta-feira, 30, após altas expressivas nos últimos dias, mantendo os mercados em alerta quanto ao posicionamento dos investidores em ativos de proteção.
Já a agenda está carregada de indicadores de atividade no Brasil, na Europa e nos Estados Unidos, à continuidade da temporada de balanços corporativos e a sinais vindos do Federal Reserve, em meio à recente indicação de Warsh.
O dia começa com dados relevantes na Europa. Ainda durante a madrugada, a Alemanha divulga as vendas no varejo de dezembro, indicador que ajuda a medir a força do consumo na maior economia da Zona do Euro.
Na sequência, saem os PMIs industriais finais de janeiro da França, Alemanha, Zona do Euro e Reino Unido, números acompanhados de perto por fornecerem um retrato atualizado do nível de atividade do setor manufatureiro no início do ano.
No Brasil, a atenção do mercado se concentra nos indicadores de confiança e expectativas. Às 8h, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) publica o Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br) e o Índice de Confiança Empresarial (ICE), que oferecem sinais sobre a percepção do ambiente econômico por parte das empresas.
Pouco depois, às 8h25, o Banco Central divulga a Boletim Focus, com as projeções do mercado para inflação, juros, câmbio e crescimento, em um momento de reavaliação das perspectivas para 2026.
Ainda no cenário doméstico, às 10h, será divulgado o PMI Industrial de janeiro, da S&P Global, indicador que permite avaliar o ritmo da indústria brasileira no início do ano. A agenda inclui também, sem horário definido, o Panorama da Pequena Indústria, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), referente a dezembro.
Nos Estados Unidos, o foco também está nos dados de atividade. Às 11h45, sai o PMI industrial final da S&P Global, seguido, ao meio-dia, pelo PMI industrial do ISM, um dos principais termômetros da indústria americana e amplamente utilizado pelo mercado para calibrar expectativas sobre a trajetória dos juros.
À tarde, às 14h30, o presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, participa de um evento, e eventuais comentários sobre a economia e a política monetária podem repercutir nos mercados.
No noticiário corporativo, a temporada de balanços nos Estados Unidos segue como um dos principais vetores do mercado. Aproximadamente um quarto das empresas do S&P 500 divulga seus resultados ao longo desta semana.
A agenda começa já nesta segunda-feira com os números da Walt Disney Company, divulgados em meio a novas especulações sobre a sucessão no comando executivo da companhia, após um período prolongado de desempenho considerado estagnado.
Na última sessão, o Ibovespa encerrou a sexta-feira em queda de 0,97%, aos 181.363,90 pontos, em um movimento de realização de lucros, com pressão das ações ligadas a commodities metálicas, especialmente da Vale (VALE3). Apesar do recuo no dia, o principal índice da B3 fechou janeiro com valorização de 12,97%.
O pregão teve viés majoritariamente negativo: dos 84 papéis do índice, 39 fecharam em baixa. As ações da Vale recuaram 3,54%, enquanto, na ponta positiva, papéis de varejo como a Vivara (VIVA3) avançaram 3,11%. As ações da Copasa (CSMG3) também figuraram entre os destaques, após avanços recentes relacionados ao processo de desestatização.