Invest

Após euforia, venda generalizada derruba ouro, prata e ações de mineração

Liquidação se espalha por complexo de metais preciosos, incluindo platina e paládio

Metais: queda generalizada (Sven Hoppe/picture alliance/Getty Images)

Metais: queda generalizada (Sven Hoppe/picture alliance/Getty Images)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 10h11.

Os preços do ouro e da prata despencaram nesta sexta-feira e detonaram uma onda global de vendas em ações, fundos e empresas ligadas aos metais preciosos. O movimento interrompe uma das maiores sequências de valorização do setor nos últimos anos e acendeu alertas sobre excesso de concentração de apostas em ativos considerados “porto seguro”.

Por volta das 7h04 (horário de Brasília), a prata à vista recuava cerca de 15%, negociada em torno de US$ 98,66 por onça — devolvendo o patamar psicológico de US$ 100. No mercado futuro, os contratos de prata para fevereiro caíam 11%, enquanto o ouro com vencimento mais próximo perdia 5,5% na Bolsa de Nova York.

A liquidação se espalhou por todo o complexo de metais preciosos. A platina à vista recuava mais de 14%, e o paládio caía perto de 12%, em um ajuste amplo de posições após meses de forte valorização.

Mineração e bolsas sentem o impacto

O tombo também atingiu em cheio as ações de mineração. Na Europa, o índice Stoxx 600 Basic Resources recuava 3,2% nas negociações da manhã. A londrina Fresnillo, maior produtora de prata do mundo, caía cerca de 7%.

Nos Estados Unidos, o movimento era ainda mais agressivo no pré-mercado. A Endeavour Silver recuava 14,7%, enquanto a First Majestic Silver perdia 14,4%. Entre os fundos, o ProShares Ultra Silver caía 25% antes da abertura de Wall Street, e o iShares Silver Trust recuava 12,7%.

Rally forte, correção inevitável

A queda ocorre após um rali histórico. Em 2025, o ouro acumulou alta de 65%, enquanto a prata disparou 150%, impulsionados pela volatilidade dos mercados globais, pela fraqueza do dólar, por tensões geopolíticas e por dúvidas sobre a independência do Federal Reserve. Em 2026, até antes do tombo desta sexta, a prata ainda subia 37% no ano, e o ouro avançava 15,4%.

“Assim como ações de tecnologia — especialmente ligadas à inteligência artificial — os metais dominaram os fluxos de capital",disse Katy Stoves, gestora da Mattioli Woods, à CNBC. “Quando todo mundo está do mesmo lado, até ativos bons podem sofrer vendas fortes à medida que posições são desmontadas.”

Dólar, bancos centrais e política no radar

Toni Meadows, chefe de investimentos da BRI Wealth Management, avaliou que a corrida do ouro até a marca de US$ 5.000 aconteceu “com facilidade excessiva”. Segundo ele, a desvalorização do dólar deu sustentação ao rali, mas a moeda americana começou a mostrar sinais de estabilização. “As compras de bancos centrais impulsionaram a alta no longo prazo, mas isso perdeu força nos últimos meses”, afirmou.

Apesar disso, Meadows vê o tema da diversificação de reservas ainda vivo, especialmente diante das políticas comerciais e da atuação internacional do presidente Donald Trump. “Isso tende a deixar muitos países desconfortáveis em manter ativos americanos, sobretudo emergentes ou alinhados à China ou à Rússia. A prata tende a seguir a direção do ouro, então a queda não surpreende.”

“Tempestade perfeita” e o Fed no centro

Para Claudio Wewel, estrategista de câmbio da J. Safra Sarasin Sustainable Asset Management, uma “tempestade perfeita” geopolítica ajudou a inflar os preços dos metais ao longo do ano, incluindo a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos e ameaças militares envolvendo Groenlândia e Irã.

Mais recentemente, o foco passou a ser a sucessão no comando do Fed. Hoje pela manhã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o nome de Kevin Warsh para suceder Jerome Powell.

“O mercado vinha precificando o risco de um nome muito mais dovish, o que ajudou o ouro e outros metais”, disse Wewel à CNBC. Warsh foi governador do Fed por seis anos e no período foi defensor de juros altos. 

A correção desta sexta não apaga o desempenho excepcional recente dos metais, mas reforça um alerta clássico de mercado: mesmo os ativos mais populares e defensivos não estão imunes a ajustes bruscos.

Acompanhe tudo sobre:OuroMetais

Mais de Invest

Ouro recua à espera de dados econômicos dos EUA

Dólar a R$ 5,18: para onde vai a moeda americana a partir de agora?

Declaração do Imposto de Renda 2026: a Receita Federal monitora Pix?

Ibovespa bateu 10 recordes em 2026: 'deixou de ser episódico', diz consultoria