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'Meta é para os fracos', diz Petrobras ao atribuir recorde à operação, não ao Brent

Presidente da estatal afirma que petróleo acima de US$ 100 ajudou, mas dizem que recordes de produção e refino foram os principais responsáveis pelo lucro histórico

Magda Chambriard: "'Meta é pros fracos'. A Petrobras supera metas" (Leandro Fonseca /Exame)

Magda Chambriard: "'Meta é pros fracos'. A Petrobras supera metas" (Leandro Fonseca /Exame)

Publicado em 7 de agosto de 2026 às 13h31.

Última atualização em 7 de agosto de 2026 às 13h36.

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O lucro recorde da Petrobras no segundo trimestre de 2026 veio em um momento de forte valorização do petróleo, mas a direção da estatal atribuiu o desempenho sobretudo aos ganhos operacionais, minimizando o peso do Brent acima de US$ 100 por barril em meio à eclosão da guerra entre Estados Unidos e Irã no dia 28 de fevereiro.

Durante a apresentação dos resultados em teleconferência com analistas nesta sexta-feira, 7, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a alta da commodity contribuiu para os números, mas sustentou que o principal diferencial foi o avanço operacional da companhia.

"O nosso diferencial, e nós nos orgulhamos dele, é a gestão operacional, que nos permitiu bater recordes de produção de petróleo e gás, de refino e de comercialização", afirmou a presidente, lembrando que a companhia superou a meta de produção em 200 mil barris de petróleo por dia, alcançando 2,7 milhões de barris diários.

"Informalmente, aqui na empresa, nós começamos a nos cumprimentar dizendo: 'Meta é pros fracos'. A Petrobras supera metas. E nós nos orgulhamos de superar as nossas metas. Aumentamos o processamento, mantendo o mesmo rendimento de diesel, QAV e gasolina. Mais receita para a Petrobras, mais valor para a empresa, mais valor para os nossos acionistas, sejam eles governamentais ou privados, sem perder o olho na disciplina de capital", afirmou em sua apresentação.

Lucro líquido da Petrobras sobe para R$ 52,4 bilhões, alta de 97% no trimestre

A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre, alta de 96,8% na comparação anual. Excluindo efeitos não recorrentes, o lucro ajustado chegou a R$ 55,8 bilhões, avanço de 140,5%. O Ebitda ajustado alcançou R$ 93,8 bilhões, enquanto a geração de caixa operacional somou R$ 61,8 bilhões. A companhia também aprovou a distribuição de R$ 17,4 bilhões em dividendos.

Segundo Chambriard, embora o Brent tenha alcançado média de US$ 104,52 por barril no período, o maior lucro recorrente da história da Petrobras não decorreu apenas desse fator.

"É claro que um Brent acima de US$ 100 por barril fortaleceu o nosso resultado. Mas o maior resultado alcançado, esse que nós apresentamos agora com eventos apenas recorrentes, não foi com o maior Brent da história. Nós tivemos mais de dez trimestres com preços de petróleo superiores a esses no passado e, mesmo assim, apresentamos o maior resultado recorrente em termos de lucro líquido da história da companhia", afirmou.

Ao destacar que a estatal produziu 2,7 milhões de barris de petróleo por dia no trimestre e mais de 3 milhões de barris de óleo equivalente por dia, a presidente observou que a meta de produção para o período era de 2,5 milhões de barris diários, superada em cerca de 200 mil barris por dia graças ao aumento da eficiência das plataformas e à antecipação da entrada em operação de projetos como as plataformas P-78 e P-79.

Além da produção recorde, a presidente destacou o fator de utilização das refinarias acima de 100%, crescimento de 6% na produção de derivados e redução de 40% das importações, principalmente de diesel. Segundo Magda, o aumento de 12% das exportações de petróleo também contribuiu para elevar a receita e a geração de caixa da companhia.

O diretor financeiro, Fernando Melgarejo, reforçou a avaliação de que os resultados financeiros foram consequência direta dos recordes operacionais, e não apenas da alta do petróleo.

"Tivemos um trimestre de recordes operacionais que levaram a Petrobras a um dos melhores resultados financeiros da sua história. Resultados esses muito ancorados e amparados pelo bom desempenho operacional", afirmou.

Segundo o executivo, "não fosse isso, não teríamos os recordes financeiros", acrescentando que "o recorde financeiro está amparado pelo recorde operacional que temos na companhia".

Melgarejo também chamou atenção para o fato de que o Brent, apesar de elevado, esteve longe das máximas históricas.

"O preço do Brent ficou na ordem de US$ 104, mas não foi o Brent mais alto que já vimos, não está nem entre os dez mais altos, o que demonstra que a questão operacional fez toda a diferença", disse. "Não tivemos um Brent recorde, mas tivemos produções recordes que impulsionaram os nossos resultados financeiros no trimestre".

Aceleração do caixa

Os executivos também ressaltaram que a estratégia de antecipar a entrada em operação de novas plataformas acelerou a geração de caixa da estatal. A P-79, por exemplo, iniciou produção três meses antes do previsto e já produz cerca de 90 mil barris por dia, com capacidade final de 180 mil barris diários.

Segundo Melgarejo, somadas às demais unidades em fase de ramp-up, a Petrobras ainda possui potencial para acrescentar cerca de 270 mil barris diários de produção ao longo do segundo semestre.

O desempenho operacional impulsionou as receitas da companhia. A receita de vendas cresceu 42,3% em um ano, para R$ 169,5 bilhões, favorecida pelo maior volume exportado e pela valorização do Brent.

A produção própria de petróleo e gás alcançou 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia, alta de 14% na comparação anual, enquanto os investimentos somaram US$ 5,3 bilhões, dos quais 82% foram destinados à área de Exploração e Produção.

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