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PEC protocolada, IGP-M, Caged, disparada em Hong Kong e o que mais move o mercado

PEC da Transição é protocolada com prazo de validade de quatro anos para gastos fora do teto com o Bolsa Família

Senador Marcelo Castro, autor da PEC da Transição (Roque de Sá/Agência Senado)

Senador Marcelo Castro, autor da PEC da Transição (Roque de Sá/Agência Senado)

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Guilherme Guilherme

29 de novembro de 2022, 08h15

O mercado brasileiro deve se debruçar nesta terça-feira, 29, sobre o texto da PEC de Transição protocolado na véspera no Senado. A proposta, que teve a autoria do senador Marcelo Castro, prevê gastos de R$ 175 bilhões com Bolsa Família fora do teto, além de até R$ 23 bilhões sobre o que exceder a arrecadação prevista e a exclusão de gastos com doações recebidas para programas socioambientais do teto.

As condições, de certa forma, já eram esperadas pelo mercado. A principal alteração em relação à minuta da PEC, apresentada há duas semanas, ficou com a inclusão de um prazo de validade de quatro anos para as despesas extra-teto com o Bolsa Família. A proposta original, vale lembrar, mantinha o gasto fora da regra por tempo indefinido.

Tramitação da PEC

Já protocolada, a PEC ainda precisa da assinatura de 27 senadores para ir à CCJ do Senado e, posteriormente, ao plenário da casa. Se aprovada por três quintos dos senadores em dois turnos, a PEC será encaminhada para a Câmara, onde precisará da mesma proporção de votos favoráveis. A expectativa é de que até a versão final, a PEC sofra alterações, podendo tornar os impactos fiscais mais enxutos, como desejado por investidores, ou não. A única certeza é de que o mercado seguirá atento às negociações.

No último pregão, a bolsa fechou em leve queda, em dia de baixíssima liquidez (especialmente no périodo periodo da tarde) devido ao jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Após o início da partida, o gráfico do Ibovespa seguiu uma linha (quase) reta, encerrando o dia em queda de 0,18%. O dólar e os juros futuros, no entanto, refletiram algum alívio sobre as preocupações fiscais, devolvendo parte das fortes altas de sexta-feira, 25.

Leia mais: Entenda os próximos passos da PEC da Transição no Congresso

Expectativa por equipe econômica

Além da tramitação da PEC, há grande expectativa no mercado para o anúncio dos nomes que irão compor os principais cargos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O ex-prefeito Fernando Haddad favorito para assumir o ministério da Fazenda, é rechaçado por investidores, que aguardam um nome mais ligado ao mercado no alto escalão do ministério ou no Planejamento. Na última semana, a bolsa chegou a reagir positivamente à possibilidade desse nome ser o de Pérsio Arida, que está na equipe de transição, mas o próprio economista negou à Folha que irá assumir algum cargo no governo. Segue a espera.

Alerta do Fed nos EUA

No exterior, bolsas americanas fecharam o último pregão em queda, após o presidente do Federal Reserve (Fed) de Nova York, John Williams, sinalizar que o combate à inflação nos Estados Unidos poderá se arrastar até 2024, indicando que os juros permanecerão altos por mais tempo.

A grande expectativa no país é para os dados de sexta-feira, 2, quando será divulgado o quadro do mercado de trabalho de novembro. Ainda que números recentes da inflação americana tenha saído abaixo das expectativas, ainda há preocupações sobre o nível acelerado do mercado de trabalho, tendo em vista a pressão inflacionário por salários mais altos.

Hong Kong em disparada

O que ajuda a aliviar as tensões do mercado internacional é a suavização da onda de protestos pela reabertura da China, frustrada por esquemas de segurança reforçados nas principais cidades do país. Ainda que as manifestações nas ruas chinesas ecoem o desejo do mercado pelo fim da política chinesa de covid zero, o preço da instabilidade é visto com cautela por investidores.

Nesta madrugada, a bolsa de Hong Kong disparou mais de 5%, com a amenização dos protestos somadas à apresentação de taxas de vacinação elevadas para a população idosa da China, menos resistente à covid-19. O país, que tem mantido medidas duras para frear a proliferação do vírus há dois, tem enfrentado agora o número de casos registrados da doença. Já o número de mortes causados pela doença segue próximo de zero na média móvel de 7 dias, o que alimenta alguma esperança de que o governo local irá flexibilizar as regras de combate ao vírus.

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Desempenho dos indicadores às 7h50 (de Brasília):

  • Dow Jones futuro (Nova York): + 0,08%
  • S&P 500 futuro (Nova York): + 0,29%
  • Nasdaq futuro (Nova York): + 0,53%
  • FTSE 100 (Londres): + 0,55%
  • DAX (Frankfurt): - 0,05%
  • CAC 40 (Paris): + 0,17%
  • Hang Seng (Hong Kong)*: + 5,54%
  • Shangai Composite (Xangai)*: + 2,31%

Agenda do dia

Economistas devem repercutir nesta terça os dados do IGP-M de novembro, para o qual a expectativa é de deflação de 0,38% ante a queda de 0,97% registrada no mês anterior. Também será divulgado hoje no Brasil os dados do Índice de Preço ao Produtor (IPP) e do Caged, que de acordo com as projeções do mercado, deve revelar a criação de 238.000 empregos formais no mês de outubro, cerca de 40.000 a menos do que o registrado para setembro.