Alimentação: cientistas investigaram como o cérebro influencia o consumo de alimentos ricos em gordura (Freepik)
Redatora
Publicado em 15 de agosto de 2026 às 11h09.
Pesquisadores da Universidade Metropolitana de Osaka, no Japão, identificaram um mecanismo no cérebro que pode ajudar a explicar por que é tão difícil resistir a alimentos ricos em gordura. O estudo, realizado em camundongos, mostrou que uma proteína presente em neurônios responsáveis pelo controle do apetite ajuda a limitar a ingestão de gordura e o ganho excessivo de peso.
Os resultados, publicados na revista científica FASEB Journal, também revelam diferenças entre machos e fêmeas que podem contribuir para a compreensão de por que o risco de obesidade e a resposta a alguns tratamentos variam entre os sexos.
Os pesquisadores investigaram uma proteína chamada OPA1, presente em neurônios do hipotálamo que expressam o receptor MC4R, uma molécula que desempenha papel central na regulação da fome, da saciedade e do peso corporal.
A OPA1 é conhecida por manter o funcionamento adequado das mitocôndrias — estruturas responsáveis pela produção de energia nas células —, mas o estudo indica que ela também participa do controle da ingestão de alimentos ricos em gordura.
Para investigar essa função, a equipe comparou camundongos saudáveis com animais geneticamente modificados para não produzir a proteína nesses neurônios.
Os animais tiveram livre acesso a óleo de soja como fonte de gordura alimentar. Nos camundongos saudáveis, a ingestão de gordura aumentou a produção de OPA1 nos machos, resposta que não foi observada nas fêmeas.
Já os animais sem a proteína passaram a consumir mais gordura, ganharam mais peso ao longo do tempo e desenvolveram obesidade.
Quando puderam escolher entre ração convencional e óleo de soja, esses camundongos aumentaram ainda mais o consumo de gordura. O ganho de peso corporal foi mais acentuado entre as fêmeas.
A equipe também avaliou o efeito da setmelanotida, medicamento que ativa o receptor MC4R e é utilizado no tratamento de formas específicas de obesidade.
Nos machos, o medicamento reduziu o apetite tanto nos animais saudáveis quanto naqueles sem OPA1. Já nas fêmeas que não produziam a proteína, porém, o efeito foi significativamente menor, sugerindo que esse mecanismo também pode influenciar a resposta ao tratamento.
Segundo os pesquisadores, essas diferenças entre os sexos podem contribuir, no futuro, para o desenvolvimento de terapias mais personalizadas contra a obesidade.
Os autores afirmam que os resultados ampliam a compreensão sobre como o cérebro regula o consumo de alimentos ricos em gordura e como esse processo pode contribuir para o desenvolvimento da obesidade.
Eles ressaltam, no entanto, que a pesquisa foi realizada apenas em camundongos. Por isso, serão necessários novos estudos para verificar se o mesmo mecanismo também ocorre em seres humanos e se poderá servir de base para o desenvolvimento de novos tratamentos contra a obesidade.