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Payroll dos EUA, balanços e falas do Banco Central: o que move os mercados

Investidores aguardam dados do mercado de trabalho americano, resultados corporativos no Brasil e no exterior e discursos de autoridades após realização de lucros

Agenda do mercado: no Brasil, o calendário também é intenso, com a divulgação dos números de Assaí, Banco Inter, Totvs, Klabin, TIM, Banco do Brasil e Guararapes (Getty Images)

Agenda do mercado: no Brasil, o calendário também é intenso, com a divulgação dos números de Assaí, Banco Inter, Totvs, Klabin, TIM, Banco do Brasil e Guararapes (Getty Images)

Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 05h30.

Os mercados iniciam esta quarta-feira, 11, em compasso de espera, com investidores atentos a uma agenda carregada de indicadores macroeconômicos, divulgações relevantes da temporada de balanços e compromissos de autoridades. O pano de fundo é um cenário de maior cautela após a realização de lucros na Bolsa brasileira e a expectativa crescente pelo desempenho da economia americana, em especial do mercado de trabalho.

Na véspera, o Ibovespa interrompeu uma sequência de três altas e fechou em leve queda de 0,15%, aos 185.953 pontos, após renovar recorde histórico de fechamento no pregão anterior.

O movimento foi descrito por analistas como um ajuste marginal, em meio à volatilidade e à espera por dados capazes de definir a direção dos ativos. Em Wall Street, o Dow Jones destoou dos demais índices e renovou, pela terceira sessão consecutiva, sua máxima histórica de fechamento, enquanto S&P 500 e Nasdaq recuaram, pressionados por ações de tecnologia e do setor financeiro.

Payroll no centro das atenções

No exterior, o principal destaque do dia é o relatório de empregos dos Estados Unidos (payroll), que será divulgado às 10h30, pelo Bureau of Labor Statistics. O dado ganha ainda mais relevância após uma sequência de indicadores recentes apontarem sinais de alguma fraqueza no mercado de trabalho americano.

Em dezembro, foram criadas 50 mil vagas, e a taxa de desemprego ficou em 4,4%, com expectativa de estabilidade. Além da criação de empregos e da taxa de desemprego, o mercado também acompanha o salário médio por hora, indicador importante para avaliar pressões inflacionárias.

Os números do payroll devem influenciar as expectativas em relação aos próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), que segue no radar dos investidores globais.

Ao longo do dia, a atenção também se volta para falas de dirigentes da autoridade monetária americana, com destaque para o discurso da presidente do Fed de Dallas, Lorie Logan, previsto para as 21h.

Ainda nos EUA, a agenda traz a divulgação dos estoques de petróleo bruto, às 12h30, pela Energy Information Administration. Na última leitura, houve queda de 3,455 milhões de barris, dado acompanhado de perto por investidores do setor de energia.

À tarde, às 15h, ocorre o leilão de T-notes de 10 anos, importante termômetro da demanda por títulos do Tesouro americano. Já às 16h, o Tesouro dos EUA divulga o Balanço Orçamentário Federal, que mede a diferença entre receitas e despesas do governo; em dezembro, o resultado foi um déficit de US$ 145 bilhões.

No cenário asiático, os mercados também monitoram a divulgação da inflação ao produtor do Japão, às 20h50, referente a dezembro.

Indicadores domésticos e autoridades no radar

No Brasil, a agenda começa cedo, com o IBGE divulgando às 9h o Índice de Preços ao Produtor (IPP) de dezembro, indicador que mede a variação dos preços pagos pelos produtores nas indústrias extrativas e de transformação. Na última divulgação, o índice havia registrado queda de 0,37%.

Ao longo do dia, outros dados ajudam a compor o quadro macroeconômico doméstico. Às 13h, sai o Índice de Confiança do Consumidor Reuters/Ipsos, que em janeiro alcançou 55,14 pontos.

Já às 14h30, o Banco Central divulga o fluxo cambial semanal, até 6 de fevereiro. Na última leitura, o fluxo apresentou saldo positivo de US$ 4,18 bilhões, informação relevante para avaliar a atuação do investidor estrangeiro.

A agenda de autoridades também concentra atenções. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa das 9h às 9h45 do CEO Conference Brasil 2026, promovido pelo BTG Pactual, em São Paulo.

O mercado acompanha de perto qualquer sinalização sobre política monetária, especialmente após a divulgação do IPCA de janeiro, que mostrou inflação de 0,33% no mês e 4,44% em 12 meses. Às 15h, o mesmo evento recebe entrevista com o senador Flávio Bolsonaro, moderada pela jornalista Amanda Klein.

Temporada de balanços ganha força

Além do noticiário macroeconômico, a temporada de balanços segue como um dos principais motores dos mercados. Nos Estados Unidos, divulgam resultados Cisco, McDonald’s, Heineken e Kraft Heinz, ampliando o volume de informações corporativas avaliadas pelos investidores.

No Brasil, o calendário também é intenso, com a divulgação dos números de Assaí, Banco Inter, Totvs, Klabin, TIM, Banco do Brasil e Guararapes.

Os balanços ajudam a calibrar expectativas sobre o desempenho dos setores de varejo, tecnologia, papel e celulose, telecomunicações, bancos e consumo, em um momento em que o mercado busca sinais mais claros sobre crescimento, margens e endividamento das companhias.

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