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Ozempic encara disputa acirrada e queda de preços

Novo medicamento da Novo Nordisk registra forte adesão inicial nos EUA, mas avanço da concorrência e estrutura de preços mais baixa levantam dúvidas

Ozempic: marca é da fabricante dinamarquesa Novo Nordisk, assim como o Wegovy. (Roberto Pfeil/picture alliance/Getty Images)

Ozempic: marca é da fabricante dinamarquesa Novo Nordisk, assim como o Wegovy. (Roberto Pfeil/picture alliance/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 5 de maio de 2026 às 07h10.

Dona do Ozempic e do Wegovy, a Novo Nordisk começou o ano com demanda aquecida, com cerca de 721 mil prescrições do seu novo remédio para emagrecer já no primeiro trimestre somente nos Estados Unidos, mas o que parece ser uma nova dinâmica de preços está acendendo um alerta.

A maior parte das receitas para o medicamento, isto é, cerca de 450 mil prescrições foram da dose inicial de 1,5 mg, vendidas a US$ 149 por mês, segundo dados da IQVIA divulgados pela Reuters.

Esse detalhe muda a leitura do resultado porque puxa a demanda para uma faixa mais barata, o que tende a reduzir a receita média por paciente no começo do ciclo do produto, explicam fontes ouvidas pela agência.

A BMO Capital Markets estima que a receita com o comprimido pode ficar cerca de 12% abaixo do consenso dos analistas no trimestre, em torno de US$ 1 bilhão.

Setor em meio a provas

O cenário ficou ainda mais competitivo no início de abril, quando a Eli Lilly, dona do Mounjaro, conseguiu aprovação regulatória para sua pílula de obesidade, a Foundayo.

Esse movimento acontece em um mercado que já vinha sendo reavaliado, segundo dados consultados pela Reuters.

"Estamos no meio do período de provas, digamos assim", na visão do presidente da Associação Dinamarquesa de Acionistas, Mikael Bak. Boa parte dos investidores da instituição tem ações da Novo.

"Ainda há muitas variáveis ​​em jogo, mesmo antes que o produto oral concorrente da Lilly cause impacto."James Gordon, analista do Barclays

Há dúvidas, inclusive, sobre a forma de uso do medicamento, pois o tratamento começa com doses menores e vai sendo ajustado ao longo dos meses. Quando essa evolução é mais lenta, o impacto aparece direto no faturamento.

"Será que algumas pessoas estão começando com a dose baixa e barata e continuando com ela simplesmente porque é mais barata e não precisam da maior eficácia e do custo proporcionado por doses mais altas?", questionou o analista do Barclays, James Gordon, à agência.

Concorrência eleva dúvidas

Projeções apontavam que o setor de medicamentos para obesidade poderia chegar a US$ 150 bilhões em vendas globais anuais no início da próxima década.

O número, no entanto, passou a ser colocado em dúvida com a entrada de mais concorrentes e a pressão por preços menores. "O que vou observar é se eles (Novo) conseguirão passar de uma postura defensiva para uma mais ofensiva", acrescentou Bak.

A própria Novo Nordisk também atravessa um período de ajustes. Desde o pico em 2024, a empresa já perdeu mais de US$ 400 bilhões em valor de mercado, segundo dados citados pela agência.

No último ano, também lidou com revisões de projeções, mudanças na liderança e resultados abaixo do esperado em testes, porém divulgou resultados fortes na semana passada.

A Novo Nordisk divulga os seus resultados ao mercado nesta quarta-feira, 6. Atualmente, a empresa está em período de silêncio.

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