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Estreia de pílula contra obesidade impulsiona ações da Novo Nordisk

Mercado reage positivamente a dados iniciais de demanda pelo novo remédio

Tratamento da obesidade: versão oral do Wegovy ganha tração inicial (picture alliance/Getty Images)

Tratamento da obesidade: versão oral do Wegovy ganha tração inicial (picture alliance/Getty Images)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 16h08.

As ações da Novo Nordisk dispararam mais de 8% nesta sexta-feira, 16, após dados iniciais de prescrições indicarem um começo promissor para o lançamento, nos Estados Unidos, do primeiro medicamento oral da empresa para tratamento da obesidade, baseado em GLP-1.

Em relatório, analistas do banco de investimentos americano TD Cowen avaliaram o desempenho inicial do medicamento como positivo, mas ressaltaram que ainda é cedo para tirar conclusões definitivas sobre a demanda. Segundo eles, será necessário acompanhar mais informações ao longo do tempo para entender o real ritmo de adoção do comprimido Wegovy, que chegou oficialmente ao mercado norte-americano em 5 de janeiro, após receber aprovação regulatória no fim de dezembro.

Mesmo com a cautela, os números iniciais reforçam as expectativas da farmacêutica dinamarquesa de recuperar participação de mercado frente à principal concorrente, a Eli Lilly, no segmento de medicamentos para obesidade e diabetes.

A Eli Lilly liderou o mercado no início de 2025 e também avança no desenvolvimento de soluções orais, com previsão de lançar seu próprio comprimido para obesidade nos próximos meses.

De acordo com análise do Leerink Partners, baseada em dados da consultoria IQVIA, cerca de 3,1 mil prescrições do Wegovy em versão oral foram preenchidas na primeira semana de comercialização, considerando o período encerrado em 9 de janeiro. Para efeito de comparação, o Zepbound, medicamento injetável da Eli Lilly para obesidade, registrou aproximadamente 1,3 mil prescrições na primeira semana e cerca de 8 mil na segunda, após sua estreia comercial, no fim de 2023.

Já o TD Cowen citou números diferentes, obtidos a partir de dados da Symphony. Segundo essa base, aproximadamente 4,29 mil prescrições do comprimido da Novo Nordisk foram preenchidas na primeira semana completa de vendas, majoritariamente referentes à dosagem inicial. Os analistas destacaram ainda que tanto os dados da Symphony quanto os da IQVIA provavelmente não contemplam as vendas realizadas por meio do canal direto ao consumidor da própria empresa nem por parceiros de telemedicina.

Para o analista Michael Nedelcovych, do TD Cowen, se esses números se confirmarem, o desempenho do comprimido supera o de versões injetáveis em estágios equivalentes de lançamento. Ele pondera, no entanto, que comparações mais consistentes só devem ser possíveis nas próximas semanas e que uma avaliação mais clara do potencial do produto pode levar alguns trimestres.

Outro ponto observado é o papel do canal direto ao consumidor, visto como estratégico para impulsionar a adoção do medicamento oral. A expectativa é que esse formato possa ampliar o alcance do tratamento e acelerar o crescimento das vendas.

Apesar da vantagem inicial da Novo Nordisk, o cenário competitivo pode mudar com a entrada do comprimido da Eli Lilly, o orforglipron. Diferentemente do Wegovy oral, que é um medicamento peptídico e exige jejum de alimentos e bebidas por 30 minutos após a ingestão com água, o produto da concorrente é uma molécula pequena, sem esse tipo de restrição, o que pode facilitar a adesão dos pacientes.

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