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Novo Nordisk perde 75% em valor de mercado e acende alerta em Wall Street

Dona do Ozempic, que chegou a ocupar o posto de empresa mais valiosa da Europa após o pioneirismo dos medicamentos GLP-1 para perda de peso, enfrenta dificuldades com a concorrência

Novo Nordisk: farmacêutica dinamarquesa é dona do Ozempic e do Wegovy. (Carsten Snejbjerg/Bloomberg via/Getty Images)

Novo Nordisk: farmacêutica dinamarquesa é dona do Ozempic e do Wegovy. (Carsten Snejbjerg/Bloomberg via/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 26 de fevereiro de 2026 às 08h53.

A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy, enfrenta um crescente ceticismo dos investidores, segundo fontes ouvidas pela CNBC. Desde o pico registrado em meados de 2024, quando suas ações superaram 1.000 coroas dinamarquesas, os papéis acumulam uma queda de 75%.

A companhia, que chegou a ocupar o posto de empresa mais valiosa da Europa após o pioneirismo dos medicamentos GLP-1 para perda de peso, viu suas ações caírem 15% a 16% na segunda-feira, 23, depois que seu novo remédio não conseguiu superar o desempenho da rival Eli Lilly, dona do Mounjaro e do Zepbound.

Estimativas indicam que a Novo Nordisk detém, atualmente, cerca de 40% do mercado de medicamentos contra a obesidade, enquanto sua principal concorrente já concentra os 60% restantes.

Nos últimos cinco anos, as ações da Eli Lilly acumularam alta de cerca de 400%, ao passo que os papéis da farmacêutica dinamarquesa avançaram pouco mais de 10%, evidenciando a diferença de desempenho entre as duas companhias, de acordo com informações consultadas pela CNBC.

"A confiança na ação está no fundo do poço."Henrik Hallengreen Laustsen, analista do Jyske Bank

Um dos fatores que mais pesam contra a companhia é a alta exposição ao mercado dos Estados Unidos (EUA), que, desde 2023, representa mais da metade de suas vendas totais. Isso deixa  farmacêutica vulnerável à queda acelerada nos preços de medicamentos no país, de acordo com os especialistas.

Em um cenário ainda mais desafiador para a companhia, a rival Eli Lilly fechou, recentemente, um acordo com a administração do presidente americano Donald Trump para reduzir os valores dos medicamentos GLP-1 nos programas Medicare e Medicaid, além de oferecer descontos diretos aos consumidores.

CEO da Novo Nordisk reconhece desafios

O CEO da Novo Nordisk, Mike Doustdar, reconheceu os desafios em declarações à CNBC, prevendo que a empresa enfrentará ventos contrários em relação aos preços, em um mercado cada vez mais competitivo durante 2026. "As pessoas devem esperar que as vendas caiam antes de subirem novamente."

A companhia projeta que as vendas e os lucros possam cair entre 5% e 13% neste ano, o que marcaria o primeiro declínio anual desde 2017. Os investidores têm se preocupado também, neste cenário, com um portfólio pouco diversificado na companhia dinamarquesa, segundo analistas ouvidos pelo canal.

A empresa é focada na atuação contra diabetes e obesidade de forma quase exclusiva, com seis remédios considerados "blockbusters", isto é, com vendas anuais superiores a US$ 1 bilhão em 2025. Em comparação, a Eli Lilly possui oito desses medicamentos, com portfólio que inclui terapias oncológicas e gênicas.

Novo Nordisk tem concentração de receita

Isso fica ainda mais evidente na concentração de receita da Novo Nordisk, cuja venda combinada do Ozempic e do Wegovy representou, aproximadamente, 67% do faturamento total no último ano, de acordo com fontes consultadas pela CNBC. O que acende um alerta em Wall Street.

A empresa tem, também, concorrência direta de grandes farmacêuticas como AstraZeneca, Roche, Amgen e Pfizer, que planejam entrar no mercado com drogas mais diferenciadas, além de enfrentar a ameaça de farmácias de manipulação que vendem versões genéricas e mais baratas de seus medicamentos.

Doustdar afirmou, no entanto, que novos medicamentos, como a versão em comprimido do Wegovy, e o aumento do volume de vendas devem impulsionar o crescimento a longo prazo. Já analistas ouvidos pelo FactSet mantêm cautela, projetando uma queda anual de cerca de 8% nas vendas para 2026.

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