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Ouro passa títulos americanos e vira principal reserva dos Bancos Centrais

Compras recordes do metal refletem busca por segurança e diversificação

Ouro: só em 2025, mais de 20 países ampliaram suas reservas. (Edgar Su/Reuters)

Ouro: só em 2025, mais de 20 países ampliaram suas reservas. (Edgar Su/Reuters)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 14h28.

Durante décadas, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos foram o principal ativo de segurança nas reservas dos bancos centrais. Esse padrão começou a mudar de forma mais clara em 2025, quando o ouro passou a ocupar uma fatia maior das reservas globais, superando os Treasuries — algo que não acontecia desde os anos 1990. O movimento sinaliza uma mudança prática na forma como autoridades monetárias lidam com risco e confiança.

O cenário internacional ajuda a explicar a virada. A percepção de um mundo mais instável ganhou força e o debate passou a ser menos em torno de crescimento e mais sobre tensões geopolíticas, disputas comerciais e incertezas institucionais. Nesse contexto, o ouro voltou a ser visto como um ativo que independe da capacidade de pagamento de um governo específico.

A alta recente do preço do metal reforçou essa tendência. Em poucos meses, o ouro rompeu recordes, impulsionado pela expectativa de juros mais baixos nos Estados Unidos e por dúvidas sobre os próximos passos da política monetária americana. Diferente de títulos públicos, o ouro não paga rendimentos e costuma ganhar espaço quando as taxas de juros reais caem ou cresce o risco de inflação mais alta.

Enquanto o futuro da política do Federal Reserve segue incerto, a estratégia de outros bancos centrais é mais direta: comprar ouro. Países emergentes e economias desenvolvidas vêm ampliando suas reservas do metal de forma consistente. Um exemplo é o da National Bank of Poland, que aprovou um plano para adicionar dezenas de toneladas de ouro aos seus cofres.

Os dados confirmam o movimento. Levantamentos do World Gold Council mostram que as compras de ouro pelos bancos centrais seguem muito acima da média histórica. Desde 2010, essas instituições deixaram de vender ouro e passaram a acumular o metal de forma contínua. Só em 2025, mais de 20 países ampliaram suas reservas, incluindo o Brasil.

Ao mesmo tempo, cresce a cautela em relação aos Treasuries. O aumento da dívida pública dos Estados Unidos e o peso maior do pagamento de juros no orçamento federal têm reduzido o apetite de parte dos gestores de reservas. Não se trata de abandonar o dólar, mas de diversificar e reduzir a dependência de um único emissor.

Há também fatores técnicos por trás da mudança. A redução de mecanismos de absorção de liquidez nos EUA alterou o comportamento do capital global. Nesse ambiente, o ouro passou a ser visto não apenas como proteção contra inflação, mas como um ativo de referência em momentos de estresse financeiro.

Mesmo com o avanço de alternativas como as criptomoedas, o ouro mantém uma vantagem clara para os bancos centrais: liquidez global, aceitação histórica e ausência de risco de crédito. Ao aumentar a fatia do metal em suas reservas, as autoridades monetárias indicam uma adaptação a um sistema financeiro mais fragmentado — no qual a segurança voltou a pesar mais do que o rendimento.

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