Ouro: queda de preço do metal ocorre mesmo com tensões geopolítica. (evgeniibashta/Freepik)
Colaboradora na Exame
Publicado em 18 de março de 2026 às 15h43.
O ouro perdeu força nos últimos dias e entrou em sua sequência mais longa de quedas desde o fim de 2024, pressionado pela alta dos preços de energia e por sinais mais persistentes de inflação nos Estados Unidos, que devem adiar o corte de juros pelo Federal Reserve (Fed) neste ano.
O metal acumula seis sessões consecutivas de baixa. Na manhã desta terça-feira, 17, o ouro à vista recuava 2,7%, a US$ 4.869,49 a onça em Nova York, após chegar a cair até 3,4% e atingir o menor nível em mais de um mês.
A pressão sobre o ouro vem de dois fatores principais. De um lado, a disparada do petróleo, impulsionada pela escalada do conflito envolvendo o Irã, reacendeu preocupações com a inflação global. De outro, um relatório de preços ao produtor nos Estados Unidos mostrou alta acima do esperado em fevereiro, reforçando a percepção de que o Fed pode adiar cortes de juros. Em dezembro, as autoridades da política monetária haviam projetado um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros este ano.
Esse cenário é particularmente negativo para o ouro, que não paga juros e tende a se beneficiar de ambientes de taxas mais baixas. Com a revisão das expectativas, o mercado passou a reduzir ainda mais as apostas de afrouxamento monetário ao longo do ano.
O movimento também ocorre em meio a uma reprecificação mais ampla dos mercados. A escalada do conflito no Oriente Médio elevou o preço do petróleo e provocou uma onda de aversão a risco, levando investidores a vender ativos — incluindo o próprio ouro — para levantar caixa.
À Bloomberg, Ewa Manthey, estrategista de commodities do ING Bank, diz que o movimento reflete um reposicionamento entre diferentes classes de ativos. “O petróleo está reagindo ao risco de oferta, enquanto a queda do ouro pode ser resultado de realização de lucros e liquidação generalizada, juntamente com a aversão ao risco e a valorização do dólar e dos rendimentos reais”, disse.
Apesar da recente correção, o metal ainda acumula alta superior a 10% no ano, sustentada por riscos geopolíticos, por ameaças à autonomia do Fed e pela busca por proteção em meio às incertezas.
Além disso, preocupações com um possível cenário de estagflação — combinação de crescimento mais fraco e inflação elevada — podem continuar dando suporte ao ouro no longo prazo, à medida que investidores buscam reservas de valor alternativas.
A expectativa agora se volta para a decisão de política monetária do Fed, que deve manter os juros inalterados na reunião desta quarta-feira, 18, enquanto o mercado monitora sinais sobre os próximos passos da autoridade monetária.