Fed: BC dos EUA manteve na reunião de hoje a taxa de juros americana no intervalo de 3,50% a 3,75% (BRENDAN SMIALOWSKI / Colaborador/Getty Images)
Repórter
Publicado em 18 de março de 2026 às 16h43.
O presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos), Jerome Powell, afirmou que a autoridade monetária ainda não sabe quais são os impactos da guerra no Oriente Médio sobre a economia dos Estados Unidos.
"As implicações dos acontecimentos no Oriente Médio para a economia dos Estados Unidos são incertas", disse em coletiva de imprensa nesta quarta-feira, 18, após a divulgação de que o Fed manteve na reunião de hoje a taxa de juros americana no intervalo de 3,50% a 3,75%.
Segundo o chairman, no curto prazo, preços mais altos de energia devem pressionar a inflação cheia, mas ainda é cedo para saber a dimensão e a duração desse impacto sobre a atividade econômica.
Powell afirmou, contudo, que a autoridade monetária está atenta a fatores externos, como a volatilidade no setor de energia e tensões geopolíticas, mas sinalizou que esses choques podem ser desconsiderados se as expectativas de inflação permaneçam ancoradas.
As projeções mais recentes do comitê mostram uma postura mais cautelosa entre os dirigentes. Embora a mediana ainda aponte para possíveis cortes ao longo do ano, houve um movimento relevante de revisão para menos flexibilização. "Houve um deslocamento significativo de alguns membros, de dois cortes esperados para um", disse a autoridade, ressaltando que as estimativas são individuais e condicionais ao desempenho da economia.
O presidente do Federal Reserve também reforçou que qualquer decisão de corte nos juros dependerá de sinais concretos de desaceleração da inflação nos Estados Unidos, após a autoridade monetária manter na tarde de hoje a taxa básica no intervalo de 3,50% a 3,75%.
Durante coletiva de imprensa, Powell foi direto ao condicionar a flexibilização da política monetária ao comportamento dos preços. "Se não virmos esse progresso [na inflação], então vocês não verão o corte na taxa", afirmou.
Segundo ele, a expectativa central é de que a inflação continue desacelerando, ainda que em ritmo mais lento do que o previsto anteriormente, com efeitos de tarifas se dissipando ao longo do tempo. Ainda assim, reforçou que não há compromisso prévio com cortes. "A trajetória dos juros é condicional ao desempenho da economia", disse.