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Super Quarta: o que esperar das decisões de juros no Brasil e nos EUA

Escalada no Oriente Médio aumenta incertezas, leva petróleo a US$ 100 e faz mercado rever apostas; Copom pode manter Selic em 15%, enquanto Fed deve seguir cauteloso

Mercado financeiro já não parece tão convicto de que chegou a hora de cortar juros no Brasil. (Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Mercado financeiro já não parece tão convicto de que chegou a hora de cortar juros no Brasil. (Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Caroline Oliveira
Caroline Oliveira

Colaboradora na Exame

Publicado em 18 de março de 2026 às 05h00.

A Super Quarta, momento em que Comitê de Política Monetária (Copom) e o Federal Reserve (Fed) anunciam suas decisões sobre a trajetória de juros, ocorre em um ambiente de elevada incerteza global, marcado pela guerra no Oriente Médio e seus efeitos sobre a inflação, especialmente quando o assunto é petróleo.

No Brasil, o cenário mudou consideravelmente nas últimas semanas. O mercado estava animado com a perspectiva de que a taxa Selic começaria a cair já nesta reunião, após sinalizações do próprio Copom na decisão de janeiro. Até então, a aposta predominante era de um corte de 0,50 ponto percentual.

Esse otimismo, no entanto, perdeu força. A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã levou o preço do petróleo de cerca de US$ 73 para a casa dos US$ 100 por barril, reacendendo preocupações inflacionárias e elevando o grau de incerteza no cenário global, especialmente em relação à desabastecimentos no setor de energia.

Com isso, o mercado financeiro já não parece tão convicto de que chegou a hora de cortar juros no Brasil. O que antes era tratado como quase consenso passou a ser um cenário em aberto, com projeções que variam entre um corte de 0,25 ponto percentual e até mesmo a manutenção da taxa nos atuais 15% ao ano.

O petróleo no centro da Super Quarta

A principal razão para essa virada está no comportamento do petróleo. A alta recente da commodity elevou o risco de uma nova rodada de pressão inflacionária, tanto no Brasil quanto no exterior, dificultando o trabalho dos bancos centrais.

Desde a última reunião do Copom, em janeiro, o barril do tipo Brent avançou cerca de 60%, elevando o custo de combustíveis, transporte e insumos industriais — um choque que pode contaminar a inflação doméstica.

Esse tipo de choque tende a afetar diretamente as decisões de política monetária, ao pressionar a inflação corrente e, principalmente, as expectativas de médio prazo, que é um dos principais focos de atuação dos bancos centrais. No caso brasileiro, o impacto pode ser ainda mais relevante, dada a sensibilidade da inflação a combustíveis e ao câmbio.

Somado à pressão nos preços do petróleo no mercado internacional, a Petrobras anunciou, nesta última sexta-feira, 13, aumento do diesel em R$ 0,38 o litro para distribuidoras, uma alta de 11,6%. Com o reajuste, o preço médio do combustível passará a R$3,65 por litro.

Nos Estados Unidos, a expectativa é de que o Federal Reserve mantenha os juros inalterados nesta reunião, reforçando uma postura cautelosa diante de um cenário mais incerto.

Relatórios recentes de instituições internacionais indicam que o início do ciclo de cortes pode ser adiado, à medida que a inflação segue pressionada e os riscos geopolíticos aumentam. A alta do petróleo, em especial, tem sido apontada como um fator que pode retardar o processo de flexibilização monetária.

A leitura predominante é que o Fed deve aguardar sinais mais claros de desaceleração da inflação antes de iniciar cortes, movimento que vinha sendo esperado para o primeiro semestre, mas que agora pode ficar para a segunda metade do ano.

Um dia de sinalização

Na prática, a Super Quarta deve ser menos sobre movimentos agressivos e mais sobre sinalização.

No Brasil, o foco estará na comunicação do Banco Central e na indicação sobre quando — e em que ritmo — o ciclo de cortes pode começar.

Outra sinalização esperada pelo Itaú BBA é que o comitê esteja pronto para interromper o processo de redução da Selic caso os choques inflacionários se mostrem mais persistentes do que o previsto. Já nos Estados Unidos, o mercado buscará pistas sobre o timing da flexibilização e os impactos do cenário global nas decisões futuras.[/grifar]

Para investidores, o recado é claro: o início do ciclo de queda de juros segue no radar, mas o ritmo dependerá cada vez mais de fatores externos, especialmente da trajetória do petróleo e da evolução da guerra no Oriente Médio.

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