Repórter
Publicado em 22 de dezembro de 2025 às 06h20.
Na reta final do ano, além das festas e do recesso nos mercados, investidores monitoram um fenômeno de comportamento recorrente nas bolsas: o chamado rali do Papai Noel — ou Santa Claus rally, na expressão popularizada nos Estados Unidos.
Apesar do nome lúdico, o padrão é levado a sério por analistas. Trata-se de um movimento estatisticamente documentado de valorização das ações em um curto período: os últimos cinco pregões de dezembro e os dois primeiros de janeiro. A recorrência e a magnitude dos ganhos fazem do rali uma referência importante para quem acompanha a dinâmica dos mercados.
O termo foi consolidado pelo analista Yale Hirsch, criador do Stock Trader’s Almanac, publicação que acompanha padrões sazonais em Wall Street desde 1967.
A base de dados usada no estudo remonta a 1950, e mostra que o índice S&P 500 registrou desempenho positivo nesse período em cerca de 77% dos anos, com retorno médio de 1,3% — bem acima da média semanal histórica do índice, de aproximadamente 0,2%.
A estatística se tornou tão relevante que, segundo Hirsch, a ausência de rali também funciona como sinal de alerta. “Se o Papai Noel não aparecer, os ursos podem surgir na Broad com a Wall”, dizia o analista, em referência à esquina em que fica a Bolsa de Nova York.
Não há uma explicação única, mas uma combinação de fatores costuma criar um ambiente favorável:
O rali do Papai Noel funciona também como um indicador de sentimento. Quando o padrão não se confirma, analistas interpretam como sinal de cautela dos investidores para o início do novo ano. Historicamente, anos que começam sem o rali tendem a apresentar mais incertezas nos primeiros meses.
O padrão também se repete na bolsa brasileira. Segundo levantamento da Elos Ayta Consultoria, o Ibovespa registrou alta em 17 dos últimos 24 meses de dezembro, reforçando a tendência sazonal. Fundos locais também realocam carteiras e buscam fechar o ano com performance positiva, o que favorece a alta.