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MBRF tem receita recorde de R$ 164 bi em 2025, mas lucro cai 78% com custos e juros

Companhia cresce em volume e avança no exterior, mas sente impacto financeiro no ano passado

MBRF: empresa cai cerca de 10% após venda de ações pela SALIC (Germano Lüders/Exame)

MBRF: empresa cai cerca de 10% após venda de ações pela SALIC (Germano Lüders/Exame)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 18 de março de 2026 às 19h17.

A MBRF encerrou 2025 com números recordes, mas em um ano longe de ser trivial. A companhia reportou receita líquida de R$ 164 bilhões, alta de 12%, com vendas de 8,2 milhões de toneladas e EBITDA de R$ 13,2 bilhões. O lucro, porém, ficou bem mais apertado: R$ 358 milhões, queda de 78% em relação a 2024. Os dados foram divulgados no balanço desta quarta-feira, 18.

O recuo reflete, principalmente, o aumento das despesas financeiras ao longo do período, em um cenário de juros mais elevados, além dos impactos não recorrentes associados à fusão entre Marfrig e BRF, que elevaram custos e pressionaram o resultado final da companhia.

Ainda assim, o tom da empresa é de conquista. “Foi um ano de receita líquida recorde, com resultados históricos. Mesmo sendo um ano extremamente desafiador, a empresa conseguiu obter uma performance de todas as formas”, disse o CEO Miguel Gularte.

O pano de fundo ajuda a explicar o discurso. 2025 foi marcado por restrições ao comércio global de frango por conta da gripe aviária no Brasil, pressão de custos e um cenário internacional instável.

Mesmo nesse contexto, a companhia avançou em volume, abriu mercados e acelerou investimentos — foram R$ 5,3 bilhões em Capex e cerca de R$ 1 bilhão em aquisições.

Na prática, o crescimento veio sustentado pela operação. “Esse crescimento foi sustentado pelo maior volume histórico da companhia”, afirmou o vice-presidente de finanças, José Inácio.

Ao mesmo tempo, a diversificação geográfica ficou mais evidente: 47% da receita veio da América do Norte, 39% da BRF e 14% da América do Sul.

Essa presença global ajuda a explicar outro destaque do ano: o avanço no Oriente Médio.

Oriente Médio e MBRF

Nos países do GCC (Conselho de Cooperação do Golfo), a MBRF atingiu recorde em processados e ampliou sua fatia de mercado para 38,6%. A região virou peça-chave da estratégia — tanto pelo crescimento quanto pela resiliência em momentos de estresse geopolítico.

Mesmo diante da escalada da guerra no Irã, a operação seguiu sem sobressaltos. “Nós não tivemos impacto relevante no nosso processo de distribuição e estamos manejando essa situação com bastante tranquilidade”, afirmou Gularte.

Se a operação entregou crescimento, o lucro contou outra história. A queda em relação ao ano anterior foi puxada por uma combinação de fatores. “Tivemos uma queda das margens, principalmente devido à gripe aviária e também à menor rentabilidade nos Estados Unidos”, disse José Inácio.

Além disso, o resultado financeiro pesou mais. “Houve também uma maior pressão na linha de resultado financeiro, com aumento da dívida e da taxa de juros”, afirmou o executivo.

Mesmo assim, a leitura interna é de que 2025 foi um ano de transição — e de preparação para um novo ciclo. A fusão entre BRF e Marfrig, consolidada ao longo do período, abre espaço para captura de sinergias e ganho de escala já a partir de 2026.

“Se abre toda uma enorme gama de oportunidades para 2026”, disse Gularte.

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