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JBS (JBSS3) tem queda de 47% no lucro no 3º tri, para R$ 4 bilhões

Normalização da margem na operação americana impacta resultado do frigorífico

JBS (JBSS3): receita líquida da companhia avança no comparativo anual (Chet Strange / Correspondente/Getty Images)

JBS (JBSS3): receita líquida da companhia avança no comparativo anual (Chet Strange / Correspondente/Getty Images)

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Estadão Conteúdo

10 de novembro de 2022, 19h44

A JBS (JBSS3) teve queda de 47% no lucro líquido do terceiro trimestre, que recuou de R$ 7,586 bilhões para R$ 4 bilhões, segundo balanço publicado na noite desta quinta-feira, 10. A companhia foi impactada negativamente pelas operações de carne bovina nos Estados Unidos.

A receita líquida cresceu 6,8%, para R$ 98,928 bilhões, ante R$ 92,625 bilhões do terceiro trimestre do ano passado. Da mesma forma, o O Ebitda ajustado, principal indicador de caixa operacional da companhia, passou de R$ 13,929 bilhões para R$ 9,545 bilhões, queda de 31,5%. A margem Ebitda ficou em 8,7% no terceiro trimestre deste ano ante 15% reportada em igual período do ano passado.

O fluxo de caixa operacional foi de R$ 7 bilhões, 35,1% a menos do que igual trimestre do ano passado. Segundo comunicado da JBS, o resultado se deve principalmente ao menor Ebitda no período da JBS Beef North America, "conforme esperado". A companhia tem adiantado que as margens do mercado de bovinos passariam por uma normalização.

Com isso, o fluxo de caixa livre, após adição de ativo imobilizado, juros pagos e recebidos, foi de R$3,2 bilhões no trimestre. O resultado financeiro líquido da empresa ficou negativo em R$ 1 496 bilhão, contra um resultado negativo de R$ 1,108 bilhão no terceiro trimestre de 2021.

A dívida líquida da companhia somou R$ 78,262 bilhões no terceiro trimestre deste ano, aumento de 0,2% em relação ao reportado em igual trimestre de 2021, de R$ 61,028 bilhões. Em dólares, a dívida líquida recuou 2,9%, de US$ 11,220 bilhões para US$ 14,475 bilhões. Já a alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, ficou em 1,81 vez em reais e 1,76 vez em dólares no terceiro trimestre, contra 1,52 vez e 1,49 vez respectivamente. Na comparação com o índice do trimestre anterior, o segundo de 2022, a alavancagem subiu em reais e em dólares, já que no período estava em 1,64 vez em reais e em 1,65 vez em dólares.

Segundo a companhia, a linha de adição de ativos imobilizados (Capex) somou R$ 3 bilhões no período, alta de 14,9% ante o terceiro trimestre do ano passado sendo R$1,5 bilhão para Capex de expansão e R$ 1,5 bilhão Capex de manutenção. Em entrevista coletiva sobre os resultados, o CFO e relações com Investidores na JBS, Guilherme Cavalcanti, anunciou dividendos intercalares no valor de R$ 2,2 bilhões, o que representa R$1 por ação, que será realizado em novembro de 2022. A empresa informou, ainda, que o retorno do patrimônio líquido (ROE) foi de 40% nos últimos doze meses encerrados no terceiro trimestre deste ano e o retorno sobre o capital investido (ROIC) foi de 22% no mesmo período.

Frentes de negócio

Por unidade de negócio, o líder com o maior Ebitda ajustado foi da Pilgrim's Pride, com alta de 25,1% (para R$ 3 bilhões), seguido pela JBS USA North América, com queda de 67,5% (para R$ 2,5 bilhões). Na sequência, consta a Seara, com incremento de 80 9% no Ebitda ajustado (para R$ 1,8 bilhão), e a JBS USA Pork, com recuo de 15,6% (para R$ 999,2 milhões). O Ebitda ajustado da JBS Austrália, por sua vez, recuou 23,8% (para R$ 493,4 milhões) ante o terceiro trimestre de 2021.

No terceiro trimestre do ano, a Seara teve receita líquida 10,2% maior do que em igual período do ano anterior, para R$ 11,767 bilhões. As vendas no mercado doméstico, que responderam por aproximadamente 45% da receita da unidade no período, totalizaram R$5,4 bilhões, 8,7% maior que no terceiro trimestre do ano passado. O principal destaque foi a categoria de alimentos preparados com aumento de 11% nos preços, enquanto os volumes permaneceram estáveis em relação ao terceiro trimestre de 2021.

A JBS Brasil registrou receita líquida de R$ 16,240 bilhões no terceiro trimestre deste ano, aumento de 15,1% ante igual período do ano passado. No mercado doméstico, a venda na categoria de carne bovina in natura cresceu 4,3% na comparação anual. Houve queda de 1,3% dos preços médios, mas o crescimento da receita é explicado pelos maiores volumes vendidos (+5,6%).

No mercado externo, a receita líquida em dólares subiu 12% quando comparado ao terceiro trimestre do ano passado, em função principalmente do crescimento de 4,4% no volume e de 7,3% no preço médio de venda de carne bovina in natura. "A China continuou sendo o principal destino e reportou crescimento de volumes e preços", disse a empresa.

Enquanto a JBS Beef reportou receita líquida 7,3% maior em reais no terceiro trimestre deste ano, para R$ 29,155 bilhões, com margem Ebitda de 17,2%. Em dólares, o incremento da receita foi de 0,6% para US$ 5,554 bilhões. No trimestre, as margens de carne bovina na América do Norte "sofreram impacto relevante em relação ao ano anterior, dada a uma aceleração, não surpreendente, das mudanças nas condições de mercado", segundo a JBS.

A JBS Austrália teve receita líquida no terceiro trimestre de 2022 de R$8,7 bilhões, alta de 19,5% em um ano, com um Ebitda ajustado de R$ 493,4 milhões e uma margem Ebitda ajustada de 5 6%. Esses resultados incluem também o impacto da depreciação de 0,4% do câmbio médio (real vs. dólar), que passou de R$ 5,23 para R$ 5,25 entre os trimestres.

Já a receita líquida da JBS USA Pork avançou 7,4% em reais para R$ 11,154 bilhões no terceiro trimestre do ano, com margem Ebitda de 9,0%. Os resultados da operação, na comparação anual, tiveram efeitos pelo aumento do custo dado a menor disponibilidade de animais vivos, assim como o aumento de aproximadamente 40% dos custos dos grãos e também dos maiores custos com mão de obra e logística. Por outro lado, a demanda sustentou os preços em níveis elevados.

A Pilgrim's Pride apresentou receita líquida no terceiro trimestre deste ano 17,2% superior em reais ante igual período do ano passado, a R$ 23,441 bilhões. Em dólar, a receita líquida da unidade foi de US$ 4,469 bilhões, queda de 3,5%. Segundo a JBS, nos Estados Unidos, apesar da volatilidade significativa no negócio "mais commoditizado de big birds", a rentabilidade deste negócio continuou resiliente e acima do ano passado. "No canal de varejo a demanda continua forte e o consumo de frango cresce frente às outras proteínas. No canal de food service as vendas cresceram tanto em volumes quanto em preços", apontou a empresa.