Inter surpreende com prejuízo de R$ 29,6 mi após impacto da deflação no 3º tri

João Vitor Menin, CEO do Inter, destaca que a situação é temporária e não deve impactar o banco digital a longo prazo
João Vitor Menin, CEO do Inter, destaca que o resultado contábil não deve afetar a empresa no longo prazo (Leo Drumond/Nitro/Divulgação)
João Vitor Menin, CEO do Inter, destaca que o resultado contábil não deve afetar a empresa no longo prazo (Leo Drumond/Nitro/Divulgação)
Beatriz Quesada
Beatriz Quesada

Publicado em 08/11/2022 às 19:03.

Última atualização em 08/11/2022 às 20:10.

A Inter&Co (INTR31), holding do Banco Inter, surpreendeu o mercado na noite desta terça-feira, 8, ao divulgar o balanço do terceiro trimestre. O banco digital teve prejuízo contábil de R$ 29,6 milhões, revertendo lucro de R$ 34,3 milhões do mesmo período do ano passado.

O impacto foi causado pela deflação no balanço. O Inter tem R$ 4 bilhões expostos à variação do IPCA, principal indicador de inflação do Brasil, que apresentou variação negativa de 1,32% no período. O saldo foi um recuo de R$ 53 milhões na receita bruta do banco, considerando ajustes na carteira de NTN-Bs, na carteira de crédito imobiliário e em letras de crédito imobiliário (LCIs).

Analistas já esperavam que o resultado fosse impactado pela deflação. O Goldman Sachs alertou em relatório que o Inter tem um saldo de títulos atrelados à inflação maior que outros pares privados, o que causaria prejuízo. Ainda assim, o resultado foi abaixo do esperado. O Goldman estimava perdas de R$ 14 milhões no trimestre.

O principal impacto veio dos títulos atrelados ao IPCA que o Inter mantém como hedge patrimonial: são R$ 3,603 bilhões em títulos de inflação, que causou um prejuízo de R$ 48 milhões na receita.

“Tivemos, pela primeira vez, um trimestre com três meses deflacionários, que gerou uma marcação a mercado negativa – mas temporária. Tirando o efeito deflacionário, teríamos tido um resultado positivo de R$ 23 milhões no período”, avalia João Vitor Menin, CEO do Inter, em entrevista à EXAME Invest.

Menin reforça que a inflação já está dando sinais de alta em outubro, e deve voltar a ser um ponto positivo para o balanço. “Vemos os próximos trimestres como bastante positivos em lucro líquido. Estamos muito confortáveis com esse indicador para os resultados seguintes”, afirmou.

A receita bruta total da holding atingiu R$1,5 bilhão no terceiro trimestre, um crescimento de 84% frente ao mesmo período do ano anterior. Já a receita líquida de serviços foi de R$ 295 milhões, um crescimento anual de 85%.

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Carteira de crédito e inadimplência

No final do trimestre, a carteira bruta de crédito do Inter somava R$ 22 bilhões em operações, um crescimento de 47,3% em um ano. Já a inadimplência subiu 0,8 ponto porcentual na comparação anual, para 3,8% no indicador medido pelos atrasos acima de 90 dias. Na comparação trimestral, o indicador ficou estável.

A estabilidade é destacada pelo CEO do como ponto forte do resultado do terceiro trimestre, um reforço de que a pior fase do mercado de crédito está ficando para trás.  

Estamos mais confortáveis hoje para aumentar a concessão de crédito que estávamos há três meses atrás, principalmente no crédito do cartão e outros produtos não colateralizados”, diz Menin. O segmento de cartão de crédito, por sinal, foi destaque da carteira e cresceu 68,4% no trimestre.

Monetização de novos clientes

O Inter adicionou 2,1 milhões de novos clientes durante o trimestre, alcançando uma base total de 22,8 milhões. A receita média por usuário ativo (ARPAC, na sigla em inglês), no entanto, caiu no período, impactada também pela deflação que atingiu o lucro líquido.

A ARPAC recuou para R$29, baixa de 7,8% na comparação anual e 11,3% frente ao último trimestre. Já o custo de aquisição de clientes (CAC) caiu de R$ 31 no terceiro trimestre do ano passado para R$28 neste resultado, o menor nível dos últimos cinco trimestres.

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