Ibovespa após três sessões em alta: o principal índice da B3 recuava 0,74%, aos 184.010 pontos (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 26 de março de 2026 às 10h33.
O Ibovespa abriu as negociações nesta quinta-feira, 26, em queda, acompanhando o movimento negativo dos mercados globais, em meio à escalada de tensões no Oriente Médio e à disparada do petróleo. Por volta das 10h30, o principal índice da B3 recuava 0,63%, aos 184.252 pontos.
O dólar à vista também operava em alta no início dos negócios, refletindo a cautela dos investidores diante de informações desencontradas sobre possíveis negociações entre Estados Unidos e Irã. No mesmo horário, a moeda americana subia 0,26%, cotada a R$ 5,234, após ter recuado a R$ 5,22 na véspera.
O cenário externo segue como principal vetor de risco. A guerra no Oriente Médio chegou ao 27º dia com novos desdobramentos relevantes, incluindo a proposta do Irã de cobrar pedágio de navios que atravessam o Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
O bloqueio parcial da região, em vigor desde o início do conflito, tem elevado os custos de energia e ampliado a volatilidade nos mercados globais.
Nesse contexto, o petróleo voltou a disparar. Por volta das 10h20, o barril do tipo Brent subia 4,77%, a US$ 107,10, enquanto o WTI avançava 4,15%, a US$ 94,07. No acumulado de março, a commodity já registra valorização de 43,6%, em um dos movimentos mais intensos da história recente do mercado de energia.
Apesar de sinais contraditórios sobre negociações — com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando interesse iraniano em um acordo e Teerã negando diálogo direto —, os confrontos seguem intensos.
O Irã afirma ter atacado mais de 70 alvos em Israel e bases no Golfo, enquanto os Estados Unidos alegam já ter atingido mais de 10 mil alvos no território iraniano desde o início da ofensiva.
O ambiente de aversão a risco também se refletiu nas bolsas internacionais. Na Ásia, os principais índices fecharam em queda, com destaque para o Kospi, da Coreia do Sul, que recuou 2,7%.
O índice Nikkei, da bolsa do Japão, reverteu ganhos iniciais e fechou em queda de 0,7%. O índice sul-coreano Kospi recuou 2,7%, e o Hang Seng, de Hong Kong, perdeu 1,7%, segundo dados compilados pela Reuters.
O índice MSCI de ações da Ásia-Pacífico, excluindo o Japão, caiu mais de 1% e encaminha-se para uma queda de 9,5% em março, consolidando-se como o pior desempenho mensal desde outubro de 2022.
Na Europa, as bolsas também operavam em queda na manhã desta quinta. Por volta das 10h15, o índice pan-europeu Stoxx 600 cedia 1,16%. A Bolsa de Londres recuava 1,24%, Paris perdia 0,87%, Frankfurt cedia 1,49% e Milão registrava tombo de 1,13%.
A tensão se estendia aos Estados Unidos, onde os índices futuros também operavam em queda. O Dow Jones recuava 0,73%, enquanto os futuros do S&P 500 e do Nasdaq caíam 0,82% e 1,03%, respectivamente.
No Brasil, além do cenário externo, investidores repercutem o IPCA-15 de março, que subiu 0,44%, desacelerando em relação aos 0,84% de fevereiro, mas acima da expectativa do mercado. Em 12 meses, a prévia da inflação acumula alta de 3,9%.
Para André Valério, economista sênior do Banco Inter, o dado reforça que a piora recente da inflação teve caráter sazonal e que o processo de desinflação segue em curso. Ainda assim, ele alerta que os efeitos do conflito no Oriente Médio ainda não foram plenamente capturados pelo índice.
Segundo o economista, a alta do petróleo — superior a 40% desde o início da guerra — deve pressionar os preços de combustíveis nos próximos meses, especialmente a gasolina. Além disso, a interrupção no fluxo do Estreito de Ormuz tende a elevar a inflação de alimentos, que já mostrou aceleração em março.
"Os combustíveis recuaram 0,03% em março, mas no IPCA cheio devemos observar uma pressão inflacionária mais significativa vindo da gasolina, dado que o barril de petróleo aumentou mais de 40% desde o início do conflito. Além disso, a interrupção no fluxo do Estreito de Ormuz tende a pressionar a inflação de alimentos, que em março acelerou significativamente", afirmou Valério.
Apesar disso, a expectativa é de continuidade no ciclo de cortes da Selic, ainda que com cautela. A projeção do Banco Inter é de uma nova redução de 25 pontos-base na reunião de maio, condicionada à evolução do conflito e seus impactos sobre a inflação.