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Ibovespa supera queda da Petrobras e fecha em alta de 0,8%

As ações de Vale e dos bancos deram impulso ao principal índice acionário, que voltou a subir apesar da queda dos papéis da Petrobras

Ibovespa: principal índice acionário da B3 fechou o dia com alta de 0,79%, aos 182.793 pontos (Germano Lüders/Exame)

Ibovespa: principal índice acionário da B3 fechou o dia com alta de 0,79%, aos 182.793 pontos (Germano Lüders/Exame)

Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 18h29.

Última atualização em 2 de fevereiro de 2026 às 18h42.

O Ibovespa manteve ao longo de todo o pregão desta segunda-feira, 2, o movimento de alta iniciado na abertura, acompanhando o desempenho positivo das bolsas de Nova York. Após oscilar ao longo da tarde, o principal índice da B3 ganhou força perto do encerramento e fechou o dia com alta de 0,79%, aos 182.793 pontos.

O índice volta a avançar no primeiro pregão de fevereiro, após ter registrado o terceiro melhor mês de janeiro de sua história. Dos 84 papéis que compõem o Ibovespa, 51 encerraram o dia em alta.

Entre os destaques positivos esteve a Vale (VALE3), ação de maior peso do índice, que subiu 0,59%, mesmo em um dia de queda do minério de ferro no mercado internacional.

O papel avançou apesar da notícia de que o Ministério Público pediu à Justiça o bloqueio de R$ 1 bilhão das contas da companhia em razão de vazamentos ocorridos em minas nas cidades de Ouro Preto e Congonhas, em Minas Gerais. A mineradora informou que apresentará defesa dentro do prazo legal.

As ações dos bancos também fecharam no terreno positivo. Nesta semana, Santander (SANB11), Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) divulgam os balanços referentes ao quarto trimestre e ao resultado consolidado de 2025, o que manteve o setor no radar dos investidores.

Na outra ponta, o desempenho do índice foi limitado pela forte queda da Petrobras, a segunda empresa de maior peso do Ibovespa. As ações ordinárias (PETR3) recuaram 1,98%, enquanto as preferenciais (PETR4) caíram 1,38%, refletindo o tombo dos preços do petróleo no mercado internacional.

O barril do Brent para abril caiu 5,03%, a US$ 65,83, enquanto o WTI, em Nova York, recuou 5,40%, para US$ 61,59.

Mesmo com a bolsa em alta, o dólar encerrou o dia em valorização frente ao real, com avanço de 0,19%, cotado a R$ 5,258.

Na avaliação de Alison Correia, analista de investimentos e cofundador da Dom Investimentos, a indicação na sexta-feira, 30, do ex-diretor Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), tem levado os investidores a saírem de ativos de risco.

"Além do ouro e da prata, também cai o petróleo, que vinha se valorizando bem diante das ameaças de ataque feitas pealo presidente dos EUA, Donald Trump. A partir do momento em que ele afirma estar aberto a diálogos, o petróleo passa a cair", disse Correia.

"Além dessa abertura para negociação, também contribui para a queda do petróleo a notícia de que a OPEP+ concordou em manter a produção inalterada em março, mesmo após fortes altas motivadas pela preocupação de um possível ataque dos Estados Unidos ao Irã. Com isso, as ações de empresas ligadas ao petróleo caem forte no pregão de hoje, como Petrobras, PetroReconcavo e Brava Energia", complementou.

Bolsas de NY em alta

No exterior, o bom humor predominou em Wall Street. As bolsas americanas iniciaram fevereiro em alta, impulsionadas por dados sólidos da indústria, que mostraram a atividade manufatureira se expandindo no ritmo mais forte desde 2022.

Os setores mais sensíveis ao ciclo econômico lideraram os ganhos, e o S&P 500 interrompeu uma sequência de três sessões consecutivas de queda, ao subir 0,54%. O Russell 2000, índice que acompanha as pequenas empresas, subiu 1,5%. O Dow Jones também avançou 1,05% e o Nasdaq registrou alta de 0,56%, refletindo o apetite por risco dos investidores.

O otimismo também foi reforçado por uma semana carregada de balanços de big techs. As ações da Amazon (AMZN) avançaram 1,53%, enquanto os papéis da Alphabet (GOOGL) subiram 1,74%.

Nem mesmo a notícia de que a divulgação do payroll de janeiro será adiada por causa de um novo shutdown do governo americano foi suficiente para abalar o apetite por risco. O governo dos Estados Unidos paralisou parcialmente suas atividades na manhã de sábado, após o Congresso não aprovar a tempo um pacote de gastos e enviá-lo a Trump.

O impasse ocorreu depois que senadores democratas exigiram mudanças no pacote originalmente aprovado pela Câmara, após o assassinato de dois cidadãos americanos por agentes federais de imigração em Minnesota.

Com isso, o financiamento do Departamento de Segurança Interna foi retirado do texto e substituído por um financiamento emergencial de duas semanas, que ainda precisa ser reaprovado pela Câmara.

O novo shutdown ocorre apenas três meses após o bloqueio mais longo da história do país, entre outubro e novembro do ano passado, que durou 43 dias e provocou atrasos no pagamento de salários de servidores, suspensão de programas sociais, cancelamento de voos e paralisação na divulgação de indicadores econômicos.

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