Ibovespa fecha em queda de 0,58% com investidores de olho no Fed

Bolsas em NY recuam pelo 2º dia com expectativa de aceleração do programa de redução de estímulos; dólar vai a R$ 5,69, no maior nível desde abril
Painel com cotações na bolsa brasileira, a B3 | Foto: Germano Lüders/EXAME (Germano Lüders/Exame)
Painel com cotações na bolsa brasileira, a B3 | Foto: Germano Lüders/EXAME (Germano Lüders/Exame)
Por Beatriz QuesadaPublicado em 14/12/2021 09:21 | Última atualização em 14/12/2021 20:46Tempo de Leitura: 4 min de leitura

O Ibovespa fechou em queda de 0,58% nesta terça-feira, dia 14, recuando para o patamar de 106.759,92 pontos. Pelo segundo pregão seguido, o principal índice da B3 operou em alta boa parte do pregão, mas cedeu ao terreno negativo por influência do mercado americano. 

Nos Estados Unidos, os principais índices de ações aprofundaram as perdas ao longo do dia, após o Índice de Preços ao Produtor (PPI) em novembro ter saído acima das expectativas, com alta de 0,8% na comparação mensal e de 9,6% na anual. 

O dado fortalece as apostas de redução de liquidez na reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed), que será tomada e divulgada amanhã às 16h (de Brasília). A expectativa no mercado é que o banco central americano acelere o tapering, processo de redução de sua política de recompra de títulos, e sinalize a antecipação do aumento de juro em 2022. Veja a seguir o fechamento dos três principais índices em Nova York:

  • Dow Jones: - 0,30%
  • S&P 500 - 0,75%
  • Nasdaq: - 1,14%

A redução da recompra de títulos reduz a liquidez dos mercados, o que afeta opções de investimento considerads mais arriscadas, como as ações de mercados emergentes e, em menor grau, a própria renda variável americana.

No Brasil, os juros também foram o assunto do dia. Nesta terça pela manhã, o Banco Central divulgou a ata da última reunião do Copom, realizada na semana passada, em que a Selic passou de 7,75% para 9,25% ao ano. O tom do comunicado já havia sido considerado mais hawkish (rigoroso) do que o esperado, e a ata voltou a surpreender.

No documento, o BC informou que chegou a considerar altas ainda maiores do que o 1,5 ponto percentual da última reunião – algo que não estava no radar dos investidores. A ata também informou que o ciclo de aperto deverá ser mais contracionista do que o usado no cenário básico por todo o horizonte relevante. 

Para Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú Unibanco (ITUB4), a ata indica que as autoridades planejam aumentar a taxa Selic para a casa dos 12%, se não além, e manter a taxa básica em patamar contracionista por um período prolongado.

“Isso claramente contraria as expectativas de que o Copom possa realizar cortes de juros já no final de 2022”, afirma Mesquita em relatório distribuído a clientes. O banco manteve a projeção de que o BC encerre o ciclo de alta de juros em março, com a Selic em 11,75% ao ano, “mas os riscos vão na direção de juros mais elevados”.

Já Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, acredita que o juro deve superar a faixa dos 12% ao ano em 2022. “Mantemos nossa perspectiva de que em fevereiro e março a autoridade deverá elevar o juro em 150 pontos base [1,5 ponto percentual], interrompendo o ciclo de alta abruptamente no final do primeiro trimestre, com a Selic a 12,25%”, avaliou.

A perspectiva de juros mais altos por mais tempo impactou o câmbio nesta terça-feira, e o dólar chegou a registrar sua primeira queda em relação ao real em quatro sessões. A moeda americana, no entanto, voltou a subir e fechou o dia negociada em alta de 0,34%, negociada a 5,694 reais. A alta refletiu também, segundo analistas, a manutenção da nota de crédito soberano do Brasil em "BB-" pela Fitch, com perspectiva negativa.

Destaques de ações

Os papéis de frigoríficos ficam entre as maiores altas do pregão um dia após a BRF entrar em acordo com a Qatar Investment Authority (QIA) para extinguir uma opção de venda de titularidade da QIA. A opção estava prevista em acordo de acionistas que rege parceria entre ambas as empresas na TBQ Foods. As companhias assinaram um aditivo ao acordo que estipula novos termos e condições para a parceria.

Segundo a Reuters, a venda da participação da QIA na TBQ faria a BRF pagar cerca de 468 milhões de reais pela fatia, com base nas informações financeiras do terceiro trimestre.

  • Marfrig (MRFG3): + 6,80%
  • JBS (JBSS3): + 5,34%
  • BRF (BRFS3): + 3,58%

Mais cedo, os bancos chegaram a puxar os ganhos do Ibovespa diante da perspectiva de altas maiores na taxa de juros, subindo mais de 3%. O movimento, no entanto, perdeu força ao longo da tarde com a piora da bolsa americana.

  • Bradesco (BBDC4): + 1,51%
  • Itaú (ITUB4): + 0,97%
  • Santander (SANB11): + 0,06%
  • Banco do Brasil (BBAS3): - 0,06%

Já o campo negativo do índice ficou com as ações de alto crescimento, que são as maiores prejudicadas em um cenário de juros mais altos, uma vez que o valor presente das ações sofre uma correção maior. Papéis de tecnologia como os da Locaweb e da Méliuz ficaram entre as maiores perdas, ao lado dos bancos digitais Pan e Inter.

  • Banco Pan (BPAN4): - 12,18%
  • Locaweb (LWSA3): - 11,11%
  • Méliuz (CASH3): - 10,68%
  • Inter (BIDI11): - 8,29%
  • Nubank (NUBR33): -13,15%