Painel com cotações na bolsa brasileira, a B3 | Foto: Germano Lüders/EXAME (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 16h02.
O Ibovespa opera em alta nesta quarta-feira, 14, e descola do desempenho negativo das bolsas de Nova York, que recuam pressionadas pelas ações de grandes bancos após a divulgação dos balanços do quarto trimestre de 2025.
Perto das 15,40, o principal índice da B3 renovou a máxima intradiária ao tocar os 164.338,01 pontos, com uma alta de 1,46%. Às 15h41, a referência acionária avançava 1,41% aos 164.262 pontos, impulsionado sobretudo pelas ações de grandes empresas, as chamadas blue chips, que têm peso relevante na sua composição.
Entre os principais destaques do dia estão as ações da Petrobras. Os papéis ordinários (PETR3) avançam 4,51%, na ldierança do pregão até o momento, e os preferenciais (PETR4) ganham 3,53%.
A alta da empresa também é seguida pelos demais papéis do setor petrolífero e acompanha a valorização do petróleo no mercado internacional em meio ao aumento das tensões geopolíticas envolvendo o Irã e os Estados Unidos.
A Vale (VALE3), que é mais de 11% na composição do Ibovespa, também avança fortemente com alta de 4,23%. Os grandes bancos também contribuem para o movimento positivo, com as ações preferenciais do Itaú (ITUB), que respondem por cerca de 8,3% do índice, em alta de 0,94%.
Já nos EUA, o índice Dow Jones operava em queda de 0,50%. O S&P 500 cedia 1%% e o Nasdaq perdia 1,53%.
Parte das perdas tem relação com as ações do setor financeiro, principalmente dos bancos Bank of America ( BOAC34), que anotava queda de 4,56%; do Citigroup (CTGP34), com perda de 3,81% e 4,88% do banco Wells Fargo (WFCO34) após a divulgação dos resultados financeiros do 4° trimestre de 2025.
O Goldman Sachs (GSGI34) e o Morgan Stanley ( MSBR34), que divulgam seus balanços nesta quinta, 15, também desempenhavam mal, com queda de 1,68% e 1,63%, respectivamente.
Segundo Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, o cenário reflete uma combinação de fatores, entre eles a expectativa de juros menores à frente e o reposicionamento gradual dos portfólios.
"A expectativa de juros menores para frente, de reposicionamento dos portfólios, ajuda a explicar esse movimento. O volume ainda está baixo, mas a gente vê o mercado se posicionando nesse sentido", afirma Moliterno.
Além do cenário de juros, os investidores também repercutem a nova pesquisa Genial/Quaest sobre o cenário eleitoral de 2026. O levantamento mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), com 45% das intenções de voto, ante 38%.
O mercado avaliou positivamente, porém, a leve redução do percentual de Lula em relação à pesquisa anterior, quando tinha 46%, enquanto Flávio Bolsonaro subiu de 36% para 38%.
Em uma eventual disputa com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Lula aparece com 44% das intenções de voto, contra 39% do governador. No levantamento anterior, a vantagem era maior, de 45% a 35%, o que indicou um avanço de Tarcísio, movimento que também foi bem recebido pelos investidores.
"O mercado agora vai fazer conta se realmente Flávio tem potencial ou não, mas a gente vê ainda uma tendência positiva de adequação", diz o head da Veedha Investimentos.
Na ponta negativa do índice, entre as maiores baixas do dia, aparecem os papéis da MRV (MRVE3).
Enquanto o Ibovespa avançava forte, as ações da companhia caíam 5,34%, após os resultados operacionais mostrarem a geração de caixa ainda pressionada.
A MRV&Co encerrou o quarto trimestre de 2025 com avanço nas vendas, porém com uma queda nos lançamentos do segmento de incorporação nacional. De outubro a dezembro, a companhia lançou R$ 2,8 bilhões em valor geral de vendas (VGV), o que representa uma queda de 3% em relação ao mesmo período de 2024, mas uma alta de 21% sobre o terceiro trimestre deste ano.