Ibovespa hoje: bolsa afunda com ameaça de recessão global, mas salta 2% na semana

Índices de Wall Street caem pelo quarto dia seguido em meio a preocupações sobre altas de juros do Fed
Painel de cotações na B3 (Germano Lüders/Exame)
Painel de cotações na B3 (Germano Lüders/Exame)
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Guilherme Guilherme e Beatriz Quesada

Publicado em 23/09/2022 às 10:42.

Última atualização em 23/09/2022 às 20:26.

O Ibovespa caiu nesta sexta-feira, 23, seguindo mais um dia de perdas no mercado internacional em meio aos temores sobre as altas de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e seus efeitos econômicos.

  • Ibovespa: - 2,06%, 111.716 pontos

Nos Estados Unidos, as bolsas caíram pelo quarto pregão consecutivo. Na semana, marcada pela terceira alta agressiva do Fed de 0,75 ponto porcentual, os índices de Nova York acumulam perdas de mais de até 5%.

  • Dow Jones (Nova York): - 1,62%
  • S&P 500 (Nova York): - 1,72%
  • Nasdaq (Nova York): - 1,80%

O movimento é diferente do apresentado pelo Ibovespa, que acumulou alta de 2% no mesmo período. Na véspera, o principal índice da bolsa brasileira subiu quase 2%, após o Banco Central ter confirmado o fim do ciclo de alta de juros no Brasil.

"Foi um verdadeiro rali pelo fim da alta da Selic, completamente descolado do que está acontecendo no restante do mundo. Mas é importante ressaltar que, com um crash lá fora, vai ser muito difícil o Brasil se segurar. É o que estamos vendo hoje", afirmou em morning call Paulo Gala, economista-chefe do Banco Master.

Um dos sintomas da aversão ao risco é a alta do dólar, que saltou mais de 2% contra o real nesta sexta. Mas a forte valorização do dólar não se restringiu ao mercado brasileiro. O índice DXY, que mede a variação do dólar contra as principais moedas do mundo, superou pela primeira vez desde 2002 a marca de 112 pontos nesta sexta. 

  • Dólar comercial: + 2,61%, a R$ 5,248
  • Índice DXY: + 1,45%

A força da moeda americana também foi alimentada por preocupações inflacionárias na Europa. Nesta manhã, o Reino Unido aprovou um novo pacote de corte de impostos, alimentando as preocupações da região com a inflação. Em reação, as principais bolsas da Europa recuaram 2%.

  • Stoxx 600 (Europa): - 2,34%

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Ações em destaque

Em um dia majoritariamente negativo na bolsa, as ações que mais pressionaram o Ibovespa foram as da Petrobras (PETR3/PETR4). Os papéis contam com a segunda maior participação na carteira teórica do índice, atrás apenas da Vale (VALE3).

A queda da petroleira acompanhou a derrocada do preço do petróleo, que desabou 5% conforme aumentam os temores de recessão no mundo à medida que a inflação avança e as taxas de juros sobem. A preocupação colocou as ações de Petrobras e da petroleira privada Prio (ex-PetroRio/PRIO3) entre as maiores baixas do dia.

  • Petrobras (PETR3): - 7,06%
  • Petrobras (PETR4): - 6,26%
  • Prio (PRO3): - 4,84%

A possibilidade de recessão também afetou as empresas aéreas e associadas à aviação. Embraer (EMBR3), Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4) tiveram forte recuo nesta sexta.

  • Embraer (EMBR3): - 7,46%
  • Azul (AZUL4): - 6,81%
  • Gol (GOLL4): - 6,44%

Na ponta positiva, os papéis da Equatorial (EQTL3) dispararam mais de 7%, com investidores reagindo ao anúncio da compra da Celg-D da Enel por R$ 1,575 bilhão. 

A distribuidora de energia elétrica de Goiás irá adicionar mais 3,3 milhões de clientes à base da Equatorial e contribuir com os planos de expansão regional e consolidação no setor, segundo fato relevante.

  • Equatorial (EQTL3): + 7,75%