Inteligência Artificial

Patrocinado por:

logo-totvs-preto

Testamos: o que muda quando você pede para a IA pensar passo a passo antes de responder

O comando ficou popular no uso de chatbots, mas estudos mostram que seus efeitos variam conforme o modelo, a tarefa e a complexidade do problema

Testamos: o que muda quando você pede para a IA pensar passo a passo antes de responder (Magnific/Reprodução)

Testamos: o que muda quando você pede para a IA pensar passo a passo antes de responder (Magnific/Reprodução)

Publicado em 19 de agosto de 2026 às 17h34.

Priorizar nos meus resultados Google
Tudo sobrePré-MBA em IA
Saiba mais

Durante algum tempo, uma das recomendações mais conhecidas para obter respostas melhores de uma inteligência artificial era simples: pedir que o modelo "pensasse passo a passo" antes de responder.

A técnica é conhecida como Chain-of-Thought (CoT), ou cadeia de pensamento. A ideia é fazer com que o modelo decomponha um problema complexo em etapas intermediárias antes de chegar à resposta.

Quer aprender a usar inteligência artificial de forma mais estratégica no trabalho? Conheça o Pré-MBA em IA da Saint Paul e Exame por R$ 37.

O que acontece quando você adiciona o comando

A técnica ganhou destaque após pesquisas mostrarem que modelos de linguagem poderiam melhorar o desempenho em determinadas tarefas de raciocínio quando eram estimulados a trabalhar em etapas.

Um estudo de 2022, por exemplo, mostrou ganhos expressivos em problemas matemáticos ao utilizar o comando "Let's think step by step". A própria documentação do OpenAI Cookbook cita o trabalho como uma das primeiras demonstrações desse efeito.

Na prática, o comando pode ser útil quando a tarefa exige várias etapas de raciocínio. É o caso de problemas matemáticos, análise de dados, lógica ou situações em que é necessário comparar alternativas antes de chegar a uma conclusão.

Imagine um profissional perguntando:

"Tenho três projetos, cada um com custos e retornos diferentes. Qual apresenta o melhor retorno sobre investimento? Pense passo a passo."

Em vez de partir diretamente para uma conclusão, o modelo pode estruturar o problema, identificar as variáveis e realizar os cálculos antes de responder.

Mas existe uma ressalva

Isso não significa que acrescentar "pense passo a passo" sempre melhora a resposta.

Uma pesquisa publicada pela Wharton em 2025 testou a técnica em diferentes modelos e tarefas. Os pesquisadores encontraram ganhos modestos em modelos que não são especializados em raciocínio, enquanto modelos de raciocínio apresentaram benefícios marginais. O uso do comando também aumentou o tempo necessário para obter a resposta.

Para profissionais que querem entender como aplicar IA no trabalho, o Pré-MBA em IA da Saint Paul e Exame está disponível por R$ 37.

O que mudou com os modelos de raciocínio

A principal mudança aconteceu com o surgimento de modelos treinados especificamente para realizar tarefas de raciocínio antes de apresentar a resposta.

O OpenAI o1, por exemplo, foi desenvolvido com aprendizagem por reforço para trabalhar com uma cadeia de pensamento interna. Segundo a empresa, o modelo consegue dividir problemas complexos em etapas, reconhecer erros e tentar estratégias diferentes.

Isso muda a utilidade do antigo comando.

Em modelos desse tipo, pedir "pense passo a passo" pode ser desnecessário. As próprias orientações atuais para modelos de raciocínio recomendam prompts simples e diretos, sem exigir que o sistema exponha ou simule uma cadeia de pensamento.

Então, qual prompt usar?

Para quem utiliza IA no trabalho, uma abordagem mais útil é explicar o que precisa ser resolvido, fornecer contexto e definir o formato esperado da resposta.

Em vez de:

"Pense passo a passo e responda qual estratégia devo escolher."

Prefira algo como:

"Compare as três estratégias abaixo considerando custo, prazo, risco e potencial de retorno. Apresente os critérios utilizados e indique qual alternativa atende melhor aos objetivos apresentados."

A diferença está em orientar o processo da tarefa, sem necessariamente pedir que a IA revele seu raciocínio interno.

Quando vale a pena usar a técnica

O "passo a passo" ainda pode ser útil, especialmente em modelos que não possuem mecanismos avançados de raciocínio.

Ele tende a fazer mais sentido quando o profissional precisa lidar com:

  • problemas matemáticos ou financeiros;
  • análise de cenários;
  • tarefas com várias condições;
  • comparação de alternativas;
  • problemas de lógica;
  • planejamento de atividades complexas.

Para tarefas simples, como resumir um texto, corrigir um e-mail ou transformar informações em uma tabela, acrescentar o comando pode apenas tornar a interação mais longa.

Além disso, há outra questão: uma explicação detalhada produzida pela IA não é necessariamente uma descrição fiel de como o modelo chegou à resposta. Pesquisas recentes continuam investigando até que ponto as cadeias de pensamento apresentadas pelos modelos correspondem ao processo que realmente determinou suas respostas.

O teste deixa uma lição para quem usa IA no trabalho

O comando "pense passo a passo" não desapareceu, mas deixou de ser uma espécie de fórmula universal para melhorar respostas.

Para profissionais, o aprendizado mais importante é outro: quanto melhor definido o problema, maior a chance de a IA entregar uma resposta útil.

Na prática, vale informar o objetivo, fornecer os dados relevantes, estabelecer critérios de avaliação e indicar o formato desejado. Em modelos de raciocínio, prompts simples e objetivos podem ser mais adequados do que instruções para "pensar" antes de responder.

Quer desenvolver habilidades para aplicar IA em decisões e atividades profissionais? Conheça o Pré-MBA em IA da Saint Paul e Exame por R$ 37.

Acompanhe tudo sobre:Branded Marketing IAInteligência artificial

Mais de Inteligência Artificial

Apple cria "carimbo" digital para provar que uma foto não foi feita por IA

OpenAI aprofunda parceria com Samsung para desenvolver chips de IA

Os três cenários do futuro da economia na era da IA, segundo a Anthropic

Com R$ 23 bi para investir em IA, Brasil tem orçamento da Índia, mas sem uma nação de engenheiros