Ibovespa: bolsa repercute PCE dos Estados Unidos (Germano Lüders/Exame)
Redação Exame
Publicado em 5 de dezembro de 2025 às 10h30.
Última atualização em 5 de dezembro de 2025 às 14h51.
O Ibovespa sofreu uma virada brusca nesta sexta-feira, 5. Depois de superar os 164 mil pontos e flertar com os 165 mil no fim da manhã, o índice passou a cair forte no início da tarde.
Às 14h26, o principal índice acionário da B3 recuava 1,86%, aos 161.496 pontos, movimento que coincidiu com a notícia de que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teria decidido apoiar seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na disputa presidencial de 2026, segundo apuração do Metrópoles.
O dólar, por sua vez, ganhou força com a notícia e, no mesmo horário, avançaca 1,59% a R$ 5,395.
Antes da notícia, o Ibovespa tentava emplacar o quarto recorde duplo consecutivo, aproximando-se dos inéditos 165 mil pontos com a divulgação do Índice de Preços de Consumo Pessoal (PCE) de setembro dos Estados Unidos.
Naquele mês, os preços subiram 0,4% na variação mensal, em linha com o previsto, e 2,8% no acumulado de 12 meses. Economistas ouvidos pelo Wall Street Journal esperavam alta anual de 2,8% no indicador completo em setembro.
O PCE é o principal indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e serve como base para as decisões de política monetária. Com os dados vindo em linha e sem surpresas relevantes, o mercado manteve elevada a aposta em um corte de 0,25 ponto percentual nos juros na reunião da próxima quarta-feira, 10.
"O PCE veio em linha com o esperado, até a bolsa americana chegou a subir um pouquinho mais. Mas tivemos um reflexo na bolsa brasileira da declaração do Bolsonaro. Porque o mercado aguardava algum apoio forte para o [governador de São Paulo] Tarcísio de Freitas", diz Alexandre Pletes, head de renda variável na Faz Capital.
"Isso abalou os mercados, porque o candidato do mercado é o Tarciso. O nome mais aventado, mais agradável para o mercado é o Tarciso. Isso realmente pegou em cheio e hoje é a principal motivação dessa virada na Bolsa", acrescenta o operador.
Os agentes também repercutiam a divulgação do Índice de Preços ao Produtor (IPP). Segundo os dados divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação ao produtor recuou 0,48% em outubro, marcando a nona taxa negativa seguida. O resultado levou o índice acumulado em 12 meses a uma queda de 1,82%. Em setembro, o IPP havia caído 0,24% sobre o mês anterior.
O dado mostra a variação dos preços na saída das fábricas e pode antecipar movimentos futuros no IPCA.
De olho no global, os mercados globais começaram o dia monitorando uma bateria de indicadores relevantes, com destaque para os Estados Unidos e a Zona do Euro. Às 7h, foi divulgado o PIB do terceiro trimestre do bloco europeu, que avançou 0,30%, acima da leitura anterior de +0,1% e acima do consenso de +0,2%; na comparação anual, o crescimento foi de 1,4%, em linha com o esperado.
A Universidade de Michigan também publica a prévia da confiança do consumidor de dezembro, que ajuda a medir o humor das famílias em relação à renda, emprego e atividade econômica, oferecendo pistas adicionais sobre pressões inflacionárias.
No Brasil, o mercado ainda repercute o Produto Interno Bruto (PIB), que registrou variação positiva de 0,1% no terceiro trimestre de 2025 ante os três meses anteriores, segundo o IBGE. O resultado veio abaixo da expectativa de até 0,2%, reforçando a leitura de fraqueza da atividade.
A surpresa baixista fez crescer, na curva de juros, as apostas de queda da Selic em janeiro, movimento que contrasta com a postura mais conservadora defendida pelo presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo.